Lisboa continua a ser um "desafio" para as pessoas que têm deficiências motoras
O debate sobre as barreiras arquitectónicas de Lisboa voltou a estar na ordem do dia. Ontem, a CDU reuniu-se com diversas associações de pessoas com deficiência, a propósito da requalificação do espaço público da capital, cuja intervenção urgente é pedida numa proposta a debater, amanhã, em reunião da Câmara.
A proposta, dos vereadores Ruben de Carvalho e Rita Magrinho, pede a criação de um «programa geral de reabilitação da cidade» que resolva o «estado de degradação» do espaço público, dando, também, «melhor resposta» de acessibilidade às pessoas com mobilidade condicionada.
Para Rita Magrinho, e após o encontro com várias entidades, a CDU desenvolverá «mais iniciativas» tendentes a incluir as propostas das associações para «erradicar as barreiras» da cidade.
Tarefa «colossal»
Ao Destak, Humberto Santos, da Associação Portuguesa de Deficientes (APD), lembra que a legislação prevê «há dez anos» o fim das barreiras, mas a tarefa em Lisboa ainda é «colossal».
«Já foram feitas coisas, mas ainda há muito trabalho. Em passagens aéreas, espaços verdes, ao atravessar estradas sem semáforos sonoros, andar em Lisboa ainda é um desafio».
A associação lembra que, mesmo os edifícios públicos continuam, em muitos casos, por arranjar, e pede a intervenção da Câmara nos seus espaços e a sensibilização nos do Estado.
A APD diz entender que o problema não se resolva de um dia para o outro. «Mas se virmos a Câmara definir um plano, com ponto de partida e de chegada, acreditamos numa Lisboa acessível a todos.»
Segundo o movimento camarário Cidadãos por Lisboa, também em luta pelo fim das barreiras, existem em Lisboa mais de 5 mil pessoas (só) portadoras de deficiências motoras.
Troca de Acusações entre o PS e o PCP - Ontem, o PCP acusou a maioria PS na Câmara lisboeta de «analfabetismo autárquico», por ter considerado que os comunistas vão apresentar, amanhã, uma proposta «redundante» para fazer «número politiqueiro». Em causa está a proposta do espaço público. Fonte da maioria do PS classificou, sexta-feira, à Lusa, a proposta de «obviamente redundante», quanto a uma já aprovada.






