Hospital e Governo esperam "acordo dentro de dias"
O Hospital de Braga e o Ministério da Saúde "esperam chegar a acordo dentro de dias" para que a unidade continue a receber doentes para as especialidades de infecciologia, nefrologia, reumatologia e imunoalergologia, disse fonte hospitalar.
O administrador Hugo Meireles adiantou hoje, em conferência de imprensa, que há 600 doentes daquelas especialidades - nomeadamente de infecciologia - que continuam a ser assistidos, frisando que o Hospital não possui serviços naquelas áreas clínicas, que terão de ser criados para o efeito.
Hugo Meireles frisou que nenhum dos quatro serviços existia antes da passagem, em Setembro, da gestão do Hospital de São Marcos para a empresa Escala Braga do Grupo Mello, no âmbito do contrato de parceria Público-Privada assinada com o Estado para a construção do novo Hospital da cidade.
O gestor sublinhou que havia doentes destas especialidades a serem tratados no Hospital, mas no quadro de outros serviços clínicos e, muitas vezes, por iniciativa de um médico da especialidade: "nenhum dos doentes deixa de ser atendido mas noutros hospitais da rede do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com essa especialidade", frisou
O presidente da administração do Hospital - gerido, desde Setembro de 2009, pela empresa Escala Braga do grupo Mello - convocou a comunicação social para dar conta das medidas que implementou para a melhoria do serviço prestado à população.
O Hospital de São Marcos deixou, há dias, de receber doentes daquelas especialidades alegando que estas "não fazem parte do perfil assistencial" da instituição.
O tema tem sido alvo de críticas de deputados do PCP e do Bloco de Esquerda, que pediram já a presença da ministra da Saúde, Ana Jorge, no parlamento para falar do assunto.
Questionado sobre as críticas dos parlamentares e de profissionais do próprio Hospital, Hugo Meireles disse que a gestão da empresa "não se guia por parâmetros políticos, mas sim pelos objectivos contratuais de melhoria da prestação de cuidados de saúde à população de Braga".
Reafirmou que o Hospital se integra no SNS, trabalhando numa óptica de "melhoria da produtividade dos serviços, mas tendo em atenção a necessidade de contenção de custos inerente a todos os hospitais".
"O que os portugueses pagam anualmente em IRS já não chega para os custos do SNS", frisou.
O administrador rejeitou a acusação de que têm sido negados medicamentos a doentes, garantindo que "tal nunca sucedeu" e sublinhando que se verificou, apenas uma vez, - no quadro de uma mudança de processos - uma situação de lapso em que uma prescrição clínica não chegou à farmácia hospitalar.
Sobre a mudança de fornecedor de um medicamento - a imunoglobina - ministrado aos doentes de Neurologia que discordam da mudança - , Hugo Meireles disse que o novo fármaco agora ministrado, fornecido por outro fabricante, tem a mesma substância química que o anterior, sendo produzida a partir de plasma de sangue.
O agrupamento "Escala Braga" - vencedor do concurso para a construção e posterior gestão por 10 anos, em regime de PPP, do novo hospital - integra as firmas José Mello Saúde, Estabelecimentos de Saúde e Assistência (ISU), a Sociedade Gestora do Hospital das Descobertas (SGHD) , a Somague Itinere - Concessões de Infra-estruturas e a Somague Engenharia, Edifer - Construções Pires Coelho & Fernandes e Edifer - Investimentos, SGPS.




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