Governo recebeu 285 candidaturas de produtores de leite que pretendem abandonar o sector
O Governo Regional dos Açores recebeu a candidatura de 285 produtores de leite para o abandono da actividade, mas desvalorizou a questão contrapondo o aumento registado na produção de leite no arquipélago.
O secretário regional da Agricultura, Noé Rodrigues, revelou que 285 produtores de leite se candidataram ao resgate leiteiro nos Açores, mas recordou que a produção anual de leite aumentou de 360 para 520 milhões de litros em 13 anos e tem crescido a procura de quotas leiteiras.
“Retirando as ilhas de S. Miguel e Terceira, que representam mais de 70 por cento da produção leiteira regional, temos pedidos de quotas na ordem dos 19 milhões de litros”, afirmou.
Nesse sentido, frisou que os pedidos de quotas registados em sete ilhas representam “o dobro da produção que foi resgatada em todo o arquipélago”.
Entre as 285 candidaturas apresentadas para resgate leiteiro, foram aprovadas 178, que representam nove milhões de litros de quota que ficam disponíveis para distribuir pelos produtores açorianos.
Na ilha de S. Miguel, foram aprovadas 81 das 149 candidaturas apresentadas, representando mais de seis milhões de litros de leite para serem distribuídos.
Nesse sentido, o secretário regional da Agricultura recusou a ideia de que os agricultores estão a abandonar o sector, alegando que o resgate permite acabar com as explorações agrícolas inadequadas.
“O resgate leiteiro faz-se precisamente para retirar pequenos produtores que não têm condições para produzir leite e pegar nessa quota e redistribuí-la pelos que têm mais condições”, afirmou Noé Rodrigues.
Para o secretário regional da Agricultura, este “fortalecimento dos que ficam na cadeia do leite, é que é a reestruturação do sector”.
Os dados oficiais indicam que existiam mais de 6000 produtores de leite nos Açores em 1996, número que desceu para cerca de 3500 em 2009.
Na apresentação dos dados relativos ao resgate da quota leiteira de 2009/2010, Noé Rodrigues revelou ainda que o governo regional não vai intervir na Cooperativa dos Loirais, em S. Jorge, que não paga há sete meses aos produtores de leite.
“O governo já deu a esta cooperativa, como a todas as outras, as condições necessárias para a sua estabilidade financeira, portanto é uma questão de gestão e de responsabilidades próprias que cada um tem de assumir”, frisou.
Noé Rodrigues recordou que, em 2000, quando se realizaram processos de saneamento financeiro em todas as cooperativas da ilha de S. Jorge, a Cooperativa dos Loirais recusou ajuda.
Em 2007, a empresa atravessou graves dificuldades financeiras, tendo os atrasos no pagamento aos produtores chegado a 18 meses.
Na altura, o governo aceitou celebrar o mesmo que protocolo que tinha feito em 2000 com as outras cooperativas, disponibilizando um apoio monetário de um milhão de euros.



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Bem-haja