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Afeganistão

Militares locais terão grande papel em ofensiva no Sul do país

08 | 02 | 2010   21.07H

O ataque à cidade de Marjah, bastião talibã na província de Helmand, vai ser um teste crucial para a estratégia da NATO, que passa por transferir responsabilidades para os afegãos, de modo a que as tropas estrangeiras possam retirar-se do país.

A operação será liderada pelos militares afegãos, mas o número exacto de militares envolvidos e a data da intervenção não foram revelados por razões de segurança.

Segundo o general Larry Nicholson, que lidera o comando da marinha no Afeganistão, as tropas estrangeiras e as afegãs estão a lutar "ombro a ombro", tendo os soldados afegãos sido abastecidos com novas armas pelos norte-americanos.

Também o general Sher Mohammed Zazai, que lidera o exército afegão na zona Sul do país, sustentou: "O importante, numa parceria, é o respeito pelos pontos de vista dos parceiros, e isso acontece, pelo que estamos no caminho do sucesso."

Apesar desta ideia de "camaradagem", o trabalho conjunto dos militares internacionais e locais nem sempre foi promissor, sobretudo no que se refere à polícia.

Na semana passada, um responsável da polícia na província de Kapisa foi detido na companhia de um guarda-costas por, alegadamente, ajudar insurgentes a colocarem bombas nos caminhos.

Por outro lado, um relatório militar dos EUA divulgado na semana passada afirma que, num ataque de rebeldes a um posto na província de Nuristan em outubro, os soldados afegãos não conseguiram impedir os atacantes de invadir o perímetro defensivo, tendo sido necessária a intervenção norte-americana para os fazer recuar.

Morreram oito americanos e três afegãos nesse ataque, tendo alguns dos sobreviventes contado que, perante os agressores, os militares afegãos aliados largaram as armas e fugiram.

Este histórico não desencoraja, todavia, o general Larry Nicholson, que valoriza nas tropas locais "a intuição" que os militares estrangeiros "nunca terão", nomeadamente para detectar os sítios onde os rebeldes podem ter escondido bombas ou para localizar guerrilheiros talibã entre a população civil.

Nick Carter, comandante da NATO, espera que a população de Marjah, que tem cerca de 80 mil habitantes, ajude os militares a encontrarem minas e armas guardadas, limitando a influência da guerrilha.

Espera-se que o exército afegão - no qual 80 por cento dos recrutas não sabem ler e têm oportunidades de vida limitadas - aumente de 100 mil para 134 mil elementos até ao final de 2011.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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