«Anulação da ferrovia Sines-Grandola é grave e incompreensível»
O presidente da Câmara de Sines considera “grave e incompreensível” a anulação do traçado previsto para o troço ferroviário Sines-Grândola e pede a apresentação de soluções e a clarificação urgentes dos responsáveis políticos por esta decisão.
Manifestando “apreensão e incompreensão” face ao anúncio do Governo de anular o traçado previsto para a nova ferrovia de mercadorias entre Sines e Grândola Norte, Manuel Coelho diz que a decisão abarca “consequências para o pólo portuário e industrial de Sines e para a economia nacional”.
O autarca lembra, num comunicado enviado à agência Lusa, que em Sines está o “maior complexo industrial e portuário do país”, que dá um “forte contributo ao PIB e à economia nacional” e que o “potencial do Porto de Contentores e de Granéis Sólidos é decisivo para a economia local, regional e nacional”.
Manuel Coelho classifica como “preocupante” a decisão do Governo de anular o projeto proposto pela REFER (Rede Ferroviária Nacional), sem apresentar uma solução alternativa “imediata e credível”.
“Sem uma ligação ferroviária rápida e segura do Porto e do Complexo de Sines ao país, a Madrid e à Europa, este Porto perde uma oportunidade para se afirmar no contexto europeu e mundial e o Complexo Industrial e Logístico de Sines sofrerá um revês no seu desenvolvimento”, argumenta.
O único autarca do Litoral Alentejano que se manifestou apreensivo relativamente a esta decisão defende que a anulação do traçado em causa acarreta “consequências nos futuros investimentos produtivos, na criação de emprego e na criação de riqueza local, regional e nacional”.
Manuel Coelho alega ainda que perante o atual contexto económico “a construção das acessibilidades ferroviárias ao Porto de Sines e da sua ligação à rede nacional e europeia é fundamental e decisiva para a competitividade deste porto e para a dinamização da economia da região do Alentejo e do país”.
Em causa está a anulação do troço Sines - Grândola, anunciada pelo secretário de Estado dos Transportes a 20 de janeiro, numa audiência com representantes da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral, que engloba os municípios de Santiago do Cacém, Grândola, Sines, Alcácer do Sal e Odemira.
A decisão surgiu depois de vários protestos de autarcas da região, que formaram uma comissão (municípios de Grândola, Beja e Santiago do Cacém), juntamente com as associações Quercus e REVER (Associação Protetora do Montado Contra a Ferrovia Relvas Verdes Grândola Norte), que defende o estudo de alternativas aproveitando o já existente ramal de Ermidas-Sado.
A comissão opositora do projeto apresentado pela REFER tem vindo a argumentar que o troço anulado retalhava os concelhos de Grândola e de Santiago do Cacém, passava pelo “meio de aldeias” e “por cima de casas”, obrigando ainda “ao abate de milhares de sobreiros”.
O troço ferroviário anulado faz parte da ligação ferroviária Sines-Elvas, vocacionada para o transporte de mercadorias.





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