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«Anulação da ferrovia Sines-Grandola é grave e incompreensível»

09 | 02 | 2010   12.22H

O presidente da Câmara de Sines considera “grave e incompreensível” a anulação do traçado previsto para o troço ferroviário Sines-Grândola e pede a apresentação de soluções e a clarificação urgentes dos responsáveis políticos por esta decisão.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Manifestando “apreensão e incompreensão” face ao anúncio do Governo de anular o traçado previsto para a nova ferrovia de mercadorias entre Sines e Grândola Norte, Manuel Coelho diz que a decisão abarca “consequências para o pólo portuário e industrial de Sines e para a economia nacional”.

O autarca lembra, num comunicado enviado à agência Lusa, que em Sines está o “maior complexo industrial e portuário do país”, que dá um “forte contributo ao PIB e à economia nacional” e que o “potencial do Porto de Contentores e de Granéis Sólidos é decisivo para a economia local, regional e nacional”.

Manuel Coelho classifica como “preocupante” a decisão do Governo de anular o projeto proposto pela REFER (Rede Ferroviária Nacional), sem apresentar uma solução alternativa “imediata e credível”.

“Sem uma ligação ferroviária rápida e segura do Porto e do Complexo de Sines ao país, a Madrid e à Europa, este Porto perde uma oportunidade para se afirmar no contexto europeu e mundial e o Complexo Industrial e Logístico de Sines sofrerá um revês no seu desenvolvimento”, argumenta.

O único autarca do Litoral Alentejano que se manifestou apreensivo relativamente a esta decisão defende que a anulação do traçado em causa acarreta “consequências nos futuros investimentos produtivos, na criação de emprego e na criação de riqueza local, regional e nacional”.

Manuel Coelho alega ainda que perante o atual contexto económico “a construção das acessibilidades ferroviárias ao Porto de Sines e da sua ligação à rede nacional e europeia é fundamental e decisiva para a competitividade deste porto e para a dinamização da economia da região do Alentejo e do país”.

Em causa está a anulação do troço Sines - Grândola, anunciada pelo secretário de Estado dos Transportes a 20 de janeiro, numa audiência com representantes da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral, que engloba os municípios de Santiago do Cacém, Grândola, Sines, Alcácer do Sal e Odemira.

A decisão surgiu depois de vários protestos de autarcas da região, que formaram uma comissão (municípios de Grândola, Beja e Santiago do Cacém), juntamente com as associações Quercus e REVER (Associação Protetora do Montado Contra a Ferrovia Relvas Verdes Grândola Norte), que defende o estudo de alternativas aproveitando o já existente ramal de Ermidas-Sado.

A comissão opositora do projeto apresentado pela REFER tem vindo a argumentar que o troço anulado retalhava os concelhos de Grândola e de Santiago do Cacém, passava pelo “meio de aldeias” e “por cima de casas”, obrigando ainda “ao abate de milhares de sobreiros”.

O troço ferroviário anulado faz parte da ligação ferroviária Sines-Elvas, vocacionada para o transporte de mercadorias.

Foto: 123RF
«Anulação da ferrovia Sines-Grandola é grave e incompreensível» | © 123RF

1 comentário

  • O Sr. Manuel Coelho é um político profissional que tem como palavra de ordem: Os amigos são para as ocasiões e quem vier atrás que feche a porta! Com politicos deste quilate, Portugal vai-se tornando um país onde "vale tudo menos tirar olhos!".
    Manuel Araújo | 20.02.2010 | 20.30Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
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