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Costa da Caparica/Naufrágio

Acidente aconteceu em segundos

09 | 02 | 2010   15.08H

Pedro Nunes, 25 anos, foi o único sobrevivente do naufrágio de uma embarcação de pesca do bivalve que esta segunda-feira de manhã se afundou a meio do percurso entre o porto de Lisboa e o de Setúbal, causando a morte a um pescador, de 62 anos, enquanto outro, 42 anos, continua desaparecido.

Para o pescador, “o que aconteceu não tem explicação”: “Não íamos fazer-nos ao mar para pescar, apenas levar o barco de volta para Setúbal depois de uma semana de pesca na Costa da Caparica. O tempo estava muito mau, mas nunca pensámos que pudesse correr desta forma”, contou.

Os três tripulantes saíram da Docapesca de Lisboa às 07:30 e chegaram perto da Costa da Caparica por volta das 08:10h. A onda virou o barco “em segundos”, contou.

“Foi apenas uma onda, mas tão forte e tão depressa que não havia forma de reagir. Não podíamos avançar nem recuar. Em segundos estávamos todos debaixo do barco”, adiantou.

“Comigo ficou o Gil, o homem mais velho, que não aguentou a hora e 15 minutos que passámos à espera de ajuda. Gritei muito pelo Fernando, mas depois de o barco virar nunca mais o vi”, continuou.

Pedro Nunes foi resgatado pela Força Aérea e encaminhado para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde chegou com hipotermia. Teve alta ainda durante a tarde de segunda-feira.

A aflição que sentiu não cabe em palavras. A cena, diz, continua às voltas na sua cabeça.

Nasceu em família de pescadores e há sete anos que o mar é o seu ganha-pão. Hoje, à Lusa, disse não querer pensar se volta ou não ao mar: “O mar dá muito, mas quando leva vidas é cruel demais”.

Também Miguel Ministro e Valter Santos, proprietários da embarcação que naufragou, consideram que “seria difícil evitar aquele cenário”, apesar de garantirem que “não se tratou de falta de segurança do equipamento”.

“O barco tinha todas as inspeções em dia, todos os mecanismos de segurança exigidos, os tripulantes estavam abrangidos pelo seguro”, dizem, fazendo contas a um prejuízo de 150 mil euros.

“Um barco para o lixo e o peso de duas vidas, mais as famílias que ficam”, lamentaram.

Ambos fazem questão de sublinhar a dureza da vida no mar e a falta de realismo dos mecanismos de ajuda aos pescadores.

“Este foi dos invernos mais rigorosos de que há memória. Os pescadores de Setúbal passaram fome. As pessoas estiveram meses a fio sem conseguir ir para o mar e o Fundo de Compensação Salarial exige muita burocracia, é desajustado e muito demorado”.

De acordo com o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa, as buscas continuam em terra, ao longo da linha de costa, na Costa da Caparica, Fonte da Telha, Setúbal, e no mar.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: 123RF
Acidente aconteceu em segundos | © 123RF
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