Processos dos assassínios de Nino Vieira e Tagmé Na Waié vão ter acusados
A directora-geral da Polícia Judiciária da Guiné-Bissau disse que as investigações aos assassínios do ex-Presidente 'Nino' Vieira e do chefe das Forças Armadas "estão avançadas", mostrando-se confiante que o processo vai formular acusações.
"Está a ser investigado. São crimes que não são de natureza simples. Entretanto, a Polícia Judiciária fez o trabalho, um está praticamente concluído e um outro ainda está por investigar", adiantou à agência Lusa Lucinda Barbosa, quando questionada sobre o inquérito às mortes do antigo Presidente da Guiné-Bissau "Nino" Vieira e do chefe de Estado-maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié.
A responsável guineense, que se encontra em Portugal a convite do director nacional da Polícia Judiciária (PJ) portuguesa, Almeida Rodrigues, não especificou qual dos dois inquéritos está em fase de conclusão.
No entanto, manifestou-se convicta de que a Polícia Judiciária da Guiné-Bissau vai receber "o apoio tanto da parte política como da Procuradoria-Geral da República no sentido de facilitar os constrangimentos que teve para concluir uma dessas investigações".
"As investigações estão avançadas. Como disse, uma está praticamente concluída e outra está por concluir. As autoridades e os superiores vão tomar conhecimento e estarão possivelmente em condições de apoiar a PJ para podermos realmente levar avante essa investigação", acrescentou.
Lucinda Barbosa escusou-se a referir quais foram as limitações que a Polícia Judiciária guineense enfrentou nas investigações, mas disse estar convencida de que o processo vai formular acusações.
"Eu acho que sim, mas isso não depende da nossa estrutura, mas sim do Ministério Público", realçou.
Um dos principais entraves à investigação ao assassínio de 'Nino' Vieira tem sido o facto de as autoridades judiciais guineense não terem, ate ao momento, podido inquirir a viúva do ex-Presidente, Isabel Vieira, que deixou a Guiné-Bissau após o funeral do marido.
Isabel Vieira, presumível testemunha do homicídio, em 2 de Março de 2008, é considerada pelo Ministério Publico da Guiné-Bissau "peça chave das investigações".
"É óbvio. É óbvio para a descoberta da verdade material. É nossa convicção que deve ser ouvida. Ela pode testemunhar porque esteve presente", afirmou, na altura, o antigo Procurador-Geral da República (PGR) da Guiné-Bissau, Luís Manuel Cabral.
Lucinda Barbosa confirmou à Lusa que a PJ guineense tem vindo a receber ajuda internacional para encontrar os responsáveis da morte de Nino' Vieira - assassinado na sua residência em Bissau, em março de 2008 -, horas depois de o general Tagmé Na Waié ter sido morto num ataque à bomba.
"Houve e continuamos a ter cooperação do FBI [Federal Bureau of Investigation]: eles apoiaram-nos bastante desde a primeira hora, principalmente na recolha dos vestígios e no tratamento dessas análises", explicou a responsável.





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