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BPP

Privado Holding critica mega fundo

09 | 02 | 2010   15.14H

"O conselho de administração da Privado Holding não pode deixar de manifestar o seu desacordo em relação ao caminho seguido pela administração do Banco Privado Português (BPP), tanto mais que se afigura ser claramente contrário aos princípios e finalidades estabelecidos no âmbito do mandato atribuído pelo Banco de Portugal a esta administração provisória do BPP", revelou hoje em comunicado a equipa liderada por Diogo Vaz Guedes.

De acordo com a Privado Holding "a medida agora apresentada vem criar dificuldades e obstáculos possivelmente inultrapassáveis ao desígnio de viabilização do BPP e de uma solução satisfatória e justa para os clientes, arrastando, em nossa opinião, o banco, para uma situação de insolvência".

A dona do BPP acrescentou que "a criação deste fundo especial de investimento (FEI), ao tratar apenas o tema dos clientes de retorno absoluto, contrariando o princípio consagrado na intervenção do Banco de Portugal de ser apresentado um Plano de Recuperação e Saneamento (PRS) para o BPP e precipitando, como se disse, uma eventual insolvência do mesmo, que coloca questão jurídicas extremamente melindrosas".

Segundo a Privado Holding, a insolvência do BPP "não só irá irremediavelmente por em causa as sobreavaliadas garantias prestadas ao Estado, como evidenciará o privilegiamento injustificado de credores, suscetível de enquadramento civil e criminal, e potenciará o surgimento de eventuais pedidos de indemnização, decorrentes designadamente de uma longa e falhada intervenção estatal".

Diogo Vaz Guedes, presidente do conselho de administração da Privado Holding, assegurou ainda que a empresa "entregará ao Banco de Portugal, durante esta semana, uma proposta de PRS do BPP".

De acordo com o comunicado, o PRS que vai apresentar "permitirá aos clientes a recuperação integral do seu investimento no prazo de até cinco anos, permitirá ao Estado minimizar as perdas que resultariam de uma eventual insolvência face à enorme insuficiência das garantias atuais e limitará os riscos de exposição internacional a uma insolvência no sistema financeiro português".

A CMVM anunciou no dia 2 de Fevereiro que autorizou a constituição do mega fundo para os clientes do BPP, num montante até 772,532 milhões de euros.

Isto implica a troca dos ativos por unidades de participação no fundo - que serão distribuídas pelos clientes aderentes na proporção do valor da aplicação de cada um à data da constituição do fundo, prevista para 15 de março de 2010, segundo a administração do banco.

A oferta vai decorrer entre 12 de Fevereiro e 4 de Março e o seu sucesso está dependente da aceitação por parte de, pelo menos, 50 por cento dos clientes ou do facto de o capital investido por estes corresponder a, pelo menos, 50 por cento do valor total.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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