Votação na especialidade adiada para quarta feira
A votação na especialidade do diploma que legaliza os casamentos entre homossexuais foi hoje adiada para quarta feira, por proposta do presidente da comissão, Osvaldo Castro, que criticou as “manobras dilatórias” do PSD e CDS-PP.
A proposta de lei do Governo, que foi aprovada na generalidade há um mês, a 08 de janeiro, será discutida e votada na especialidade quarta feira às 14:00, uma proposta do presidente da comissão de Assuntos Constitucionais, que mereceu os votos favoráveis da esquerda parlamentar e contra do PSD e do CDS-PP.
Osvaldo Castro propôs o adiamento, por um dia, da votação, após o CDS-PP e o PSD terem sugerido o adiamento por semanas com o argumento de que seriam necessários mais dias para “ponderar” as contribuições, depoimentos e pareceres das entidades e personalidades ouvidas em sede de especialidade.
“Só por manobras dilatórias é que se está a procurar impedir o processo legislativo”, afirmou Osvaldo Castro, que invocou o regimento da Assembleia da República para sublinhar que a votação “só pode” ser adiada uma vez.
Do lado do PS, o deputado Ricardo Rodrigues acusou os partidos da direita de andarem a ver “quem é que empata mais”, frisando que só admitiria um adiamento por um dia.
Quarta feira, os deputados vão votar a proposta de lei do Governo, que permite o acesso ao casamento civil por pessoas do mesmo sexo e exclui explicitamente a adoção.
O BE entregou uma proposta de alteração para eliminar o artigo 3º do diploma, que interdita a adoção aos casais homossexuais.
Pelo PSD, o deputado Luís Montenegro afirmou que o diploma foi aprovado há um mês e que não lhe parece “anormal” que o processo pudesse prolongar-se “por mais umas semanas”, acusando o PS, e os partidos à esquerda, de “quererem aprovar à força” o diploma, numa “pausa para o café” da discussão do Orçamento do Estado para 2010, que se inicia quinta feira.
À esquerda, PCP e BE defenderam que a matéria já foi suficientemente analisada, criticando igualmente as sugestões feitas pelo PSD e CDS-PP.
Considerando insuficientes as audições sobre o diploma, o deputado do CDS-PP Nuno Magalhães defendeu que “seria sensato” adiar a votação na especialidade para “maturar e ponderar as múltiplas contribuições” que foram entretanto dadas pelo Conselho Superior de Magistratura, Procurador-Geral da República, e por dois juristas, Pedro Bacelar Vasconcelos e Jorge Reis Novais.
O constitucionalista Marcelo Rebelo de Sousa não foi ouvido em comissão, apesar de o requerimento do BE nesse sentido ter sido aprovado.
O presidente da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Osvaldo Castro explicou que o comentador político se disse indisponível para ir à comissão mas disponibilizou-se para responder por escrito às perguntas dos deputados, o que não foi aceite na última reunião da comissão parlamentar.


