Mário Soares: "Nunca fui tão atacado como José Sócrates"
"Já fui primeiro ministro, por sinal até três vezes. Fui atacado muitas vezes, mas a verdade é que nada comparável com o que se está a passar agora", afirmou o fundador do PS no final da apresentação do livro "Memória de uma mulher de letras" da escritora e antiga jornalista Manuela Azevedo.
Apesar de recusar pronunciar-se sobre os contornos do caso que envolveu a tentativa de compra da TVI pela PT, Mário Soares lamentou os ataques de que tem sido alvo José Sócrates.
"Fui muito menos atacado. Nunca ninguém me disse coisas que agora dizem do primeiro ministro", defendeu o ex-chefe de Estado.
Nas declarações que fez aos jornalistas, Mário Soares afirmou que as fugas de informação "são uma vergonha para a justiça portuguesa", mas recusou-se a comentar se advoga o fim do segredo de justiça.
No plano político, contudo, Mário Soares sustentou que se está a fazer "muita especulação num momento em que o Presidente da República [Cavaco Silva] fez vários apelos, sobretudo em virtude da situação de crise em que o país se encontra".
"É bom haver acordos pelo menos pontuais e é bom não criar uma crispação no país. Os senhores jornalistas devem respeitar este apelo, que eu também sublinho", sustentou Mário Soares.
O ex-Presidente da República deixou também duras críticas a quem entende que em Portugal há um clima de claustrofobia democrática, dizendo que quem lutou a favor da liberdade durante a ditadura "sabe que essa luta era muito difícil".
"Quem se atravessasse a dizer uma palavra contra a pessoa do ditador ia parar à cadeia no mesmo dia - isso é que era censura. Tinha 49 anos quando se deu o 25 de Abril de 1974 e só por essa altura tive a honra de ir pela primeira vez à televisão portuguesa", referiu ainda Mário Soares.
Para o ex-Presidente da República, actualmente, em Portugal, "há total liberdade de Imprensa".
"Num país em que o Governo está a ser atacado todos os dias, a todas as horas, das maneiras às vezes mais grosseiras, inventando-se as coisas mais extraordinárias - e que nada acontece a esses jornalistas responsáveis por isso, ou àqueles que os incitam - não se pode falar em falta de liberdade de imprensa", advogou o primeiro secretário geral do PS.
Na perspectiva de Mário Soares, "dizer-se que o país está asfixiado, é política - e má" política.







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