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Patrick Watson

«Tenho a certeza que sou uma mistura»

07 | 11 | 2007   09.17H

Como está a correr a digressão pela Europa?
Estou em digressão há um ano, quase sem parar. Profissionalmente está a correr muito bem, temos tido experiências fantásticas. Pessoalmente, estou a passar por uma fase má, problemas com a namorada, e isso é muito difícil de gerir na estrada, é difícil desligar.

Já estiveram na estrada com grandes nomes, como o mítico James Brown...
Sim, andámos com ele antes de morrer, o que foi fantástico. Com a Feist, os Dears... A esse nível tem sido óptimo.

Nunca encabeçam o cartaz?
Às vezes sim, no Canadá, América e Holanda. Na Holanda já temos algum seguimento, por algum motivo que nos transcende (risos)

Em Portugal também já têm...
A sério? Nunca sonharia isso. Eu adorava conhecer Portugal, em Montreal vivo na comunidade portuguesa e tenho muita curiosidade. Acho tão engraçado ter quem me conheça lá.

É verdade que começou por tocar numa banda Ska?
Eu comecei muito novo, com sete anos. A tocar piano clássico. Mas sim, aos 16 anos queria ter uma banda e juntei-me a uma Ska. Todos os músicos eram loucos, eu já tocava piano jazz mas queríamos era fazer Ska. Só que sempre quis experimentar músicas para filmes, ou algo assim, e foi quando conheci uma rapariga que tinha um livro de imagens e queria músicas para acompanhar cada uma. Foi assim que surgiu o Waterproof9 [primeiro álbum]. Depois, já com o pessoal desta banda, começámos a dar concertos. Mas nunca pensámos fazer discos e editar, esse género.

E ficou Patrick Watson o nome da banda...
Sim, não conseguimos encontrar um nome de que gostássemos então ficou. Porque eles participam na composição, sem dúvida.

Depois surgiu a colaboração com os Cinematic Orchestra. Foi importante para o vosso lançamento?
Acho que sim. Eles tocavam na editora Ninja Tunes, que tinha uma equipa de Hóquei onde eu joguei, e precisavam de um cantor... Acho que foi importante, mas não sei distinguir a importância. Eu faço estas coisas pelo gozo, gosto de trabalhar com vários artistas.

E deste disco, Close to Paradise, está orgulhoso? Ou com os seus resultados?
Toda a gente neste grupo toca música desde muito novos. E acho que, de alguma forma, sempre soubemos que era isto que queríamos fazer. Ainda não pensamos muito nas reacções, vendas... é mais queremos fazer isto, e se pudermos viver, melhor.

Mas está preparado, para o caso de serem um dia famosos?
Acho que nunca vamos ser assim muito famosos. Acho que podemos atingir um bom nível, num contexto indie, acho que temos um bom espectáculo ao vivo, mas não nos imagino como supertstars (risos). Acho que já nem há bandas ‘grandes' hoje em dia. Ter uma banda, dar concertos, já é tão bom.

Odeia ‘a pergunta' Jeff Buckley? Que o comparem?
Não odeio, mas é a que me fazem mais. Não acho é que soe assim tanto como ele.

Era, pelo menos, fã dele?
Não, nem por isso. Gosto de algumas coisas acústicas, mas só. Acho que a nossa música não é muito parecida, nem as letras. Acho que atingimos os mesmos níveis de voz, mas a voz não é igual, tínhamos talvez intenções semelhantes para com a música mas não os mesmo objectivos.

Porque, no final, ele ia numa direcção mais rock...Não é essa a sua intenção?
Mais ou menos. Estou um bocado cansado de música ambiente. Provavelmente o meu próximo disco será um pouco mais rápido. Mas nunca rock pesado ou algo assim.

Li algures que recusava a ideia de Montreal, e do Canadá, ter uma ‘cena' da música em movimento. Com tantas bandas boas a vir do Canadá, ainda acha que ela não existe?
Acho que não há uma ‘cena' no sentido de as bandas darem-se todas, e tocarem juntas... Acho que, de facto, vem muita coisa boa de lá, e até nos conhecemos... Mas há uma explicação. A localização é perfeita, as cidades são mais pequenas, há clubes... E eu sinto sempre que no Canadá ninguém tem uma identidade própria, e isso cria músicos muito ecléticos. Eu sempre pensei que tinha uma costela inglesa porque os meus pais são ingleses, mas fui lá e tenho a certeza que não sou (risos). Talvez mais francês, não sei. Ainda não descobri. Agora que viajo sei que não posso ser só uma coisa. Tenho a certeza que sou uma mistura de alguma coisa.

Patrícia Naves | pnaves@destak.pt
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