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inundações

Região de Lisboa com zonas de risco mas situação como na Madeira "não irá acontecer"

23 | 02 | 2010   11.12H

“Não teremos uma situação igual à da Madeira porque o orografia deste zona é completamente diferente, mesmo que exista uma precipitação muito elevada, como tem acontecido pontualmente nos últimos anos”, afirmou em declarações à Lusa.

Leonel Fadigas referiu, contudo, que existem problemas na cidade e na região de Lisboa, pois desde de Cascais até Vila Franca existe um conjunto de áreas com ribeiras que em regime de chuva torrencial são fatores de risco.

“Os registos dos últimos anos são conhecidos quanto a inundações nestas zonas baixas. A construção nos leitos de cheia é um dos problemas, por exemplo, no Vale de Alcântara, na ribeira de Algés, na ribeira das Vinhas, em Cascais, que em 1983 inundou o centro de Cascais”, afirmou.

Leonel Fadigas, que tem um doutoramento em planeamento urbanístico pela Universidade Técnica de Lisboa, explica que os problemas e riscos foram-se acumulando ao longo dos tempos, o que numa altura em que “está em curso uma situação de alteração climática e que os extremos meteorológicos estão a acontecer com mais evidencia”, se transforma se em fatores de risco “para os quais se deve ter atenção”.

O urbanista referiu ainda que Alcântara é uma das zonas que inunda frequentemente, explicando que a zona do caneiro de Alcântara, a antiga ribeira, está mais alta do que as zonas de chegada das ruas quem veem de Monsanto ou do Alto de Santo Amaro.

“Estando a avenida de Ceuta mais alta e havendo um mau funcionamento da drenagem urbana, em caso de maré alta, é evidente que temos aqui um risco de inundação”, disse.

Leonel Fadigas defende que, com probabilidade cada vez maior das chuvas torrenciais, ou seja, grande quantidade num intervalo de tempo curto, é preciso “aumentar o tempo de chegada da água que caiu num terminado sitio, até à foz do rio ou da ribeira”.

“Reordenar a circulação das águas superficiais, criando bacias de retenção onde for possível ou utilizando zonas verdes como bacia de retenção temporária para absorver o primeiro impacto e reformar, em alguns casos, o sistema de drenagem”, afirmou.

O também arquitecto paisagista, referiu ainda que é importante que exista a “consciência que existem novos modelos de organização do tempo”.

“Os planos como o PROT-AML [Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa], revisão dos PDM [Plano Director Municipal] ou Planos Urbanísticos, devem ser pensados tendo em conta esta nova realidade, de um clima que está a mudar e de situações extremas que são cada vez mais frequentes”, concluiu.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: Joao Abreu Miranda/Lusa
Região de Lisboa com zonas de risco mas situação como na Madeira "não irá acontecer" | © Joao Abreu Miranda/Lusa
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