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leonardo dicaprio

«Martin Scorsese é um mestre na exposição da natureza humana»

25 | 02 | 2010   08.49H

[Paramount Pictures - Tradução/Adaptação João Tomé]

Pode falar-nos da personagem que interpreta, Teddy Daniels, e no género do filme?

Interpreto Teddy, que é um agente federal que no filme tem uma missão juntamente com o colega Chuck [Mark Ruffalo] numa instituição psiquiátrica que também é uma prisão de alta segurança, numa ilha. Estão a investigar o desaparecimento de um doente, mas pelo caminho percebemos que o Teddy tem outro motivo para estar ali. Quer investigar outro doente que lhe fez mal, mas isso trará consequências. E depois temos tudo isto com Scorsese a fazer um género que é integralmente seu, o estilo é parecido com o de Hitchcock, mas este é um thriller emocional e psicológico poderoso e especial.

É sem dúvida um filme assustador e muito intenso...

É mesmo, mas o público mais novo pode esperar um tipo de filme onde se tem um susto consistente a cada 10 minutos. É mais do que um thriller, é muitos géneros e narrativas simultaneamente.

Foi intenso e opressivo como parece filmar na ilha?

Bem, para ser honesto todos os filmes do Martin dão esse sentimento! Há uma certa tensão nas filmagens, porque toda a gente está tão empenhada. Mas o mais desafiante para mim foi como abordar as sequências de sonho e flashbacks - há momentos em que a realidade do Terry muda, não sabemos o que é real. E Scorsese trabalha muito isso, até na luz, como se fosse teatro. O trabalho dele na edição é maior e mais meticuloso do que qualquer outro realizador. Faz tudo frame a frame e o exemplo disso é O Aviador. Há pormenores no filme que nem no 10º visionamento conseguimos perceber. Já para preparar os actores, ele faz os seus próprios visionamentos, porque ele também é um arquivador. Tem milhares de filmes numa biblioteca. Antes de rodarmos ele envia cenas específicas de outros actores, como se fosse um workshop. Para este, vimos filmes de detectives e por exemplo o Laura, Out Of The Past, e Vertigo, do Hitchcock.

Desenvolveu-se como actor trabalhando com Scorsese?

É natural, sim. O que é interessante nele é que o Martin coloca tanta confiança num actor, na nossa opinião sobre a personagem e obriga-nos a fazer muito trabalho de casa. É incrível vê-lo a trabalhar, é um mestre na exposição da natureza humana. Mas as colaborações não têm sido planeadas. Como sempre nas coisas criativas tem sido de forma natural.

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O mundo muda num hospital psiquiátrico para assassinos

O realizador norte-americano Martin Scorsese recorreu àquilo que a 7.ª Arte tem de melhor, desde a capacidade de assustar até à de surpreender, para nos trazer este filme baseado num livro intitulado Shutter Island, de 2003, mas que conta uma história passada em 1950.

Scorsese, que já se tinha inspirado nos clássicos e feito filmes inesquecíveis, como Gangues de Nova Iorque, O Aviador ou The Departed - Entre Inimigos, aposta agora num género mais arriscado, entre o thriller e o terror.

Para isso, conta com o seu protagonista de eleição nos últimos anos, Leonardo DiCaprio, que agora faz dupla com o talentoso Mark Ruffalo, ambos agentes federais que são convocados para uma remota e inóspita ilha na costa do Massachusetts.

Os dois investigam o misterioso desaparecimento de uma assassina de um hospital do tipo fortaleza, para os criminosos com doenças mentais. Mas a personagem de DiCaprio embate entre o seu desejo de saber mais o fenómenos estranhos que se passam na ilha, algo que irá afectar a sua sanidade. João Tomé

Foto: DR
«Martin Scorsese é um mestre na exposição da natureza humana» | © DR
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