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Minorias

Presidente da direcção nega extinção da Federação das Associações Ciganas

25 | 02 | 2010   12.35H

"Para se encerrar a federação tinha de se proceder a uma assembleia geral, mas não houve assembleia geral nenhuma. Não pode ser só uma pessoa ou duas a decidir encerrar", disse hoje à agência Lusa António Pinto Nunes.

Adiantou que os actuais corpos sociais, incluindo a direção a que preside, foram reeleitos na reunião magna da FECALP, em 2008, e mantêm-se em funções.

O responsável da FECALP nega, assim, informações avançadas a 15 de Fevereiro pelo presidente da assembleia geral da federação, Joaquim Cardoso, que a davam como extinta devido à alegada falta de actividade e incumprimento de disposições estatutárias em três anos de existência.

"Optámos pela extinção. Desde que a federação foi criada, há três anos, não teve movimento nenhum, não havia ofícios nem reuniões, ninguém pagava quotas", frisou, na altura, Joaquim Cardoso.

António Pinto Nunes assume a existência de "problemas" ao nível da quotização das dez associadas, justificando com a "falta de dinheiro" das associações ciganas.

Recusa, no entanto, que os órgãos dirigentes da Federação Calhim Portuguesa - a outra denominação pela qual a FECALP é conhecida - possuam falta de quórum.

Ouvido pela Lusa Joaquim Cardoso mantém que a federação não possui "qualquer atividade" e que os estatutos não estão a ser cumpridos, manifestando-se "revoltado" com a situação da instituição.

"Os estatutos nunca foram cumpridos e só há sócios no papel. Não há uma quota paga, em três anos não houve uma reunião de direção, não há ofícios, não há nada", sustentou.

Disse, por outro lado, que a direcção de António Pinto Nunes foi eleita "só com um voto" em 2008, alegação que o presidente da FECALP nega.

Às acusações de falta de atividade da federação, António Pinto Nunes contrapõe com diversas iniciativas realizadas em colaboração com o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) e outras entidades.

O presidente da direção da FECALP encontra-se em Estrasburgo para participar na assembleia da organização de cúpula das federações europeias de ciganos, que funciona no Conselho da Europa.

A FECALP esteve ainda representada na primeira cimeira da União Europeia sobre os ciganos, em setembro de 2008, em Bruxelas, "a convite da Comissão Europeia" e, no ano seguinte, em Estocolmo, na 3ª Cimeira da UE sobre Cooperação para a Igualdade, disse.

Para além de intervir na resolução de problemas que afetam a comunidade cigana em vários pontos do país, a FECALP está a promover, em parceria com outros organismos, o Fórum Ibérico sobre a Etnia Cigana, previsto para 8 e 9 de Abril, em Lisboa.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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