Comerciantes do Porto tiveram quebras de 40% nas vendas
"Os números que temos ainda são estimativas, porque não recolhemos os dados todos, mas os resultados são maus e estamos a falar em quebras superiores, muitas vezes, a 35 e 40 por cento", afirmou o presidente da Associação de Comerciantes do Porto (ACP) em entrevista à agência Lusa.
Num ano em que "a própria OMC [Organização Mundial do Comércio], pela primeira vez, fala em quedas de 12 por cento nas transações comerciais", Nuno Camilo reporta "situações mesmo críticas [no distrito do Porto], em que as empresas não conseguem escoar 'stocks'", apesar dos fortes cortes nos preços desde o primeiro dia de saldos.
Segundo o dirigente associativo, é no sector do vestuário e do calçado que se vivem "as situações mais críticas", tendo algumas lojas aberto "logo no primeiro dia de saldos com promoções de 70 por cento, o que não é uma situação muito normal, porque normalmente começam com 25, 30 por cento e só no final da época atingem valores mais elevados".
No distrito do Porto, um dos mais afetados no país pelo desemprego, com consequentes quebras no poder de compra e na confiança dos consumidores, nem os preços de liquidação significaram, contudo, vendas garantidas.
"Em alguns sectores nem isso foi suficiente e os 'stocks' não foram escoados conforme previsto. Há empresas completamente paradas no que diz respeito a escoamento de 'stocks'", garantiu Nuno Camilo.
De acordo com a associação, "a queda é transversal" e afeta quer as lojas de rua, quer das grandes superfícies comerciais.
Salientando que "desde há cinco anos [que a situação] tem vindo sempre a piorar", a ACP defende uma revisão da legislação que encurte a época de saldos de inverno, atualmente a decorrer entre 28 de dezembro a 28 de fevereiro.
"A lei dos saldos tem que ser revista porque não faz qualquer sentido ser tão extensa, deve começar muito mais tarde do que atualmente, a 10 ou 12 de janeiro. Não faz qualquer sentido começar quatro dias depois do Natal", sustentou Nuno Camilo.
Na base da atual situação está também, segundo Nuno Camilo, a escalada da taxa de desemprego e a elevada carga fiscal que recai sobre as empresas.
"Neste momento temos situações de empresas que chegaram ao final do ano e fecharam portas, porque os custos que têm não são comportáveis e estavam a acumular prejuízos", sustentou.
Recorrendo a um "cruzamento de dados" com associações congéneres e com a própria confederação, a ACP estima que, em 2009, se tenham perdido no distrito do Porto 11 mil postos de trabalho no sector do comércio.
Ainda assim, a associação deixa uma "mensagem de esperança" aos comerciantes do Porto, lembrando estar "a trabalhar arduamente em iniciativas de dinamização do comércio e a preparar propostas de alterações legislativas".
"Vamos apresentar e debater em breve algumas ideias numa comissão de economia, como a questão da lei dos saldos, das taxas de Multibanco e da maior flexibilidade do Código Laboral", adiantou.




2 comentários