Logótipo XL |Automotor |Classificados |Correio da Manhã |Destak |Jornal de Negócios |Máxima |Record |Rotas & Destinos |Semana Informática
moda

Viver tudo outra vez

01 | 03 | 2010   10.55H

Há quem se deixe fotografar em monumentos, atire para lagoas, pendure em árvores ou esbanje em leixeiras, dependendo do grau de radicalismo. Há ensaios ao pôr do Sol, ao nascer do dia e até nocturnos. Há quem opte pelo conforto de uns ténis ou sandálias, ou decida acrescentar adereços coloridos/divertidos à indumentária solene. Em comum têm, porém, uma certa dose de ousadia, a mesma que as leva a experimentar a moda do "trash the dress".

Voltar a "usar" o vestido de noiva - peça mítica de um momento único das nossas vidas - é o lema-base deste movimento que recupera assim um item destinado a ser guardado ad aeternum no armário e, muitas vezes, roído pelas traças, como certos casamentos...

A sessão fotográfica daí resultante poderá servir de complemento à desgastante, tradicional (e para muitos já ultrapassada) reportagem de casamento. Poderá igualmente constituir um momento único de descontracção e cumplicidade entre os noivos. Por timidez deles, noivas há que protagonizam a solo os seus ensaios fotográficos. E há até recém-divorciadas que deste modo decidem dizer adeus a um mau casamento e abraçar o novo estado civil.

Ainda assim, o espírito aventureiro continua a ser o mesmo, com gente a preferir paisagens vincadamente urbanas (parques de estacionamento, edifícios abandonados, terraços) e outros a optarem por locais mais exóticos, em comunhão com a Natureza.

Quanto aos vestidos cortados, rasgados, pintados ou queimados, que lá fora muitos vezes descobrimos numa versão mais à letra do conceito "trash", na sua maioria tratam-se de modelos alugados ou comprados em segunda mão especialmente para o efeito.

«Não se trata de destruição, trata-se de criação», dita o lema do movimento. Criação de imagens «fabulosas e artísticas» para a verdadeira posteridade.

--------------------------------------------------------------------

Origens remontam à cidade de Las Vegas

Em termos simplistas "trash the dress" - também conhecido pelas expressões "fearless bridal" ou "rock the frock"- é um estilo de fotografia de casamento cujas origens apontam para Las Vegas, ou não fosse esta uma das cidades onde mais se casa no mundo inteiro.

A originalidade deste registo é atribuída ao profissional John Michael Cooper que, logo no ano de 2001, terá assinado os primeiros ensaios do género. Nos últimos dois ou três anos a moda atravessou, porém, o oceano Atlântico para encontrar como embaixadores no Reino Unido fotógrafos de renome como Steve Gerrard e Mark Theisinger.

Em Portugal, esta tendência, que tanto pode ser estampada em imagens paradas como em vídeo, dá timidamente os seus primeiros passos, num movimento que exigirá uma certa revisão dos "brandos costumes" da nossa sociedade.

--------------------------------------------------------------------

CONVERSA RÁPIDA COM... Matilde B.

Fotógrafa profissional, «artista de coração», os seus trabalhos podem ser vistos em http://www.matildeberk.com e no flirk.

De que forma tomou conhecimento do conceito "trash the dress"?

Na minha actividade diária de ver trabalhos de outros fotógrafos cruzei-me com esta tendência que há dois ou três anos está em grande voga nos EUA. Eu, que tinha decidido que nunca seria uma fotógrafa de casamentos, resolvi experimentar, para ver qual a abertura das noivas. Não é qualquer noiva que se predispõe a vestir o seu vestido pela segunda vez e sobretudo a andar com ele por meio de ervas, montes, vales, rolar na areia, entrar na água do mar. Um pouco a medo resolvi fazer um convite às noivas num fórum de casamentos. Houve uma data delas disposta a fazer tudo. Depois fiz um casting para escolher as três que melhor se enquadravam no trabalho que queria fazer.

Qual o perfil dessa noiva disposta a fazer uma coisa diferente?

Não tem a ver com a idade mas mais com a vontade de voltar a vestir o vestido. O que acontece é que o dia do casamento é uma coisa muito rápida. Estão tão preocupadíssimas em saber se as coisas correm bem, em estar com todos os convidados, que não tiram partido do dia que criaram para si próprias. O conceito do trash the dress - do dia em que estão sozinhas, em que toda a gente olha para elas na rua e que sentem que são pessoas muito especiais com o fotógrafo atrás delas - é algo muito especial. Não tem que ser uma pessoa com perfil específico. Obviamente que tem de gostar de ser fotografada, ter algum à-vontade em frente à câmara e algum sentido de humor, porque fazemos muitas tropelias e disparates.

Há muito improviso?

Elas fazem muito trabalho de casa. Vão ver o que se faz por aí, que poses é que as outras mulheres fazem. Vou criando um ambiente, conversando e fotografando. Obviamente que o resultado depende muito da relação que o fotógrafo estabelece com a pessoa fotografada. Planeamos tudo ao ínfimo pormenor, como o que cada um leva vestido. Decidimos onde vamos fotografar, pedimos as respectivas autorizações, se for caso disso. Não é uma coisa do género «agora vamos para a rua e fazemos». É algo mais organizado do que isso.

Vera Valadas Ferreira | vferreira@destak.pt
Foto: Matilde B
Viver tudo outra vez | © Matilde B

2 comentários

  • Há quem chame a este "conceito nascido nos EUA" esquizofrenia colectiva em grau moderado, deviam fazer um estudo psiquiátrico sobre essa gente que afinal só vive de aparências.
    BBBB | 14.03.2010 | 15.41Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Eu também tirei do armário um velho preservativo usado para um ensaio fotográfico inesquecivel, sem medo de rasgá-lo( pois ele já estava) ou sujá-lo( pois ele também estava). Nisto consiste o conceito "trash the condom", nascido em PORTUGAL. LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL.
    TUrex | 01.03.2010 | 16.05Hver comentário denunciado
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE