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Oscares

Noite histórica para Bigelow, a primeira mulher a vencer Óscar de Realizador

08 | 03 | 2010   05.41H

O David bateu o Golias. Um filme simples, de poucos meios, mas com uma história tensa e intensa derrotou todos na cerimónia dos Oscar, especialmente Avatar que foi batido inclusive nas categorias técnicas dos Oscares – um filme recordista no que custou e ainda mais no que rendeu e nas pessoas que levou ao cinema. 

Kathryn Bigelow, até aqui mais conhecida por ser ex-mulher de James Cameron derrotou o filme dos milhares de efeitos especiais do ex-marido com um filme que passou despercebido em Portugal e está já, inclusive, em DVD. A provar que Hollywood nem sempre se deixa levar pela espectacularização do cinema, mesmo nas categorias técnicas. 

A cerimónia começou com uma surpreendente entrada a cantar de Neil Patrick Harris, o Barney da série How I Met Your Mother. Só depois se seguiu o monólogo dos competentes e divertidos Steve Martin e Alec Baldwin, a quem faltou tempo e momentos memoráveis para brilharem verdadeiramente numa cerimónia apressada e com pouca música.

Quando se entrou nos prémios, tudo parecia monótono. Todos os favoritos estavam a ganhar. O primeiro foi Christoph Waltz, por Sacanas Sem Lei – parecia que Tarantino poderia ter a sua noite. O actor pouco experiente nas lides de Hollywood e que viveu um ano com o português Joaquim de Almeida, mostrou algum nervosismo.

Se Up - Altamente venceu sem surpresa a Melhor Animação, a música de T-Bone Burnett por Crazy Horse foi o primeiro prémio a surpreender, já que Randy Newman era favorito.

Robert Downey Jr. com os seus óculos que pareciam 3D e Tina Fey apresentaram o Oscar de Melhor Argumento Original. O Estado de Guerra venceu o seu primeiro da noite, bateu Sacanas Sem Lei, num prémio que foi o ponto de partida para uma noite inesquecível e que voltou a deixar Quentin Tarantino de mãos a abanar.

Ben Stiller não desperdiçou a oportunidade para aparecer vestido de Avatar e Mathew Broderick fez a primeira homenagem da noite, ao realizador John Hughes, conhecido por pérolas que retrataram adolescentes e crianças como O Rei dos Gazeteiros, Sozinho em Casa, entre muitos outros.

Seguiu-se o momento de Precious. O filme independente produzido por Oprah e com um elenco nomeado mas de desconhecidos venceu surpreendentemente o Argumento Adaptado e com menos surpresa a categoria de Actriz Secundária, para a pouco experiente Mo’Nique, que agradeceu à Academia olhar para a interpretação e não se deixar levar pela "política". Aliás, nas interpretações não houve surpresas na noite, venceram os favoritos.

Roger Corman (produtor) e Lauren Bacall (actriz) receberam prémios honorários mas tiveram de ficar-se pela plateia - foram "despachados" - onde receberam a primeira ovação da noite.

Nova surpresa surgiu nas categorias técnicas de Edição e Mistura de Som, onde o Estado de Guerra venceu a concorrência de favoritos todos eles com produções mais dispendiosas.

Os desaparecidos
A homenagem às pessoas do cinema que morreram em 2009 não teve o encanto do ano passado, mas não faltaram nomes. James Taylor tocou (na única música com letra de toda a cerimónia) e nos ecrãs passaram: Patrick Swayze. Eric Rohmer. David Carradine. Dom DeLuise. Ron Silver. Brittany Murphy. Michael Jackson. Natasha Richardson. Karl Malden. Entre outros.

The Cove, nas salas neste momento, venceu o melhor documentário, sem surpresa, mas o argentino El Segredo de sus Ojos pasmou tudo e todos ao vencer como Filme Estrangeiro, quando era dos menos favoritos. Up – Altamente venceu o segundo Óscar da noite na categoria de Banda Sonora, pertencente a Michael Giachinno e Avatar levou o prémio nos Efeitos Especiais.

O dia dos veteranos Sandra e Jeff
Os discursos da noite estavam reservados para depois. Jeff Bridges era favorito e venceu mesmo, cinco nomeações depois (a primeira data de 1971), o seu primeiro Óscar, festejando efusivamente com o Kodak Theatre de pé a aplaudir.

Sandra Bullock fez mais, deixou cair lágrimas. A actriz que nunca tinha estado nomeada e no dia anterior tinha ido receber um Razzie (os "Oscares" dos piores) para Pior Actriz, pelo filme All About Steve, vingou-se ao vencer o Oscar de Melhor Actriz por The Blind Side. Elogiou as outras nomeadas e revelou a sua paixão por Meryl Streep por entre suspiros. Dedicou o prémio às mães que tomam conta de crianças “venham de onde elas vieram”, que é o tema do seu filme.

Num ápice o pequeno, simples, mas repleto de tensão filme O Estado de Guerra, tornou-se o herói da noite. Barbara Streisand disse as palavras mágicas: “O Óscar vai para… uma realizadora! Kathryn Bigelow”.

No dia da Mulher, Hollywood dá o Óscar de Melhor Realizador a uma senhora, pela primeira vez. Kathryn estava nervosa, mas ficou incrédula quando Tom Hanks disse em 5 segundos que o Filme do Ano era mesmo O Estado de Guerra.

Acabou por ser uma cerimónia que desiludiu em termos de espectáculo mas que premiou um David contra os poderosos Golias e que contou com momentos de emoção.

João Tomé | jtome@destak.pt
Foto: EPA
Noite histórica para Bigelow, a primeira mulher a vencer Óscar de Realizador | © EPA

4 comentários

  • Penso que atribuiçao foi a mais sensata dos ultimos anos,pois premiou um filme denso e realista(embora digam que a historia do filme foi desmentida por militares)e que faz reflectir.
    foi ver o Avatar ao cinema e e um bom filme mas de entertenimento e espectaculo.
    Creio que os filmes,podem nos ensinar a fazer reflectir e nesse sentido crescermos como pessoas.Foi este o caso de"Estado De Guerra"
    Fernando Mota | 08.03.2010 | 23.45Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Charles Vc esta enganado, pelo menos em Hollywood, os filmes feitos por homens não inovam e as historias são sempre as mesmas, este filme realizado por uma mulher mostra uma visão totalmente diferente da guerra, onde não existe heroismos baratos como a grande maioria dos filmes de guerra de Hollywood
    Ines | 08.03.2010 | 15.50Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Eu acho que os óscares foram bem entregues. Sobre o AVATAR, está visto que histórias da "carochinha" já não dizem nada a ninguém . . . !
    alexandre barreira | 08.03.2010 | 15.03H
  • Correu tudo na normalidade apenas o oscar de melhor filme ficava melhor no Avantar, se hollywood não acarinha quem a faz sobreviver, mais dia menos dia perde protagonismo, isto foi mais para demostrar poder das mulheres actualmente, o problema é que as mulheres NÃO INOVAM, quem desbrava novos caminhos quem rasga parte são sempre os HOMENS as mulheres são medrosas por natureza vão sempre pelo caminho mais seguro...tem medo de arriscar
    Charles | 08.03.2010 | 12.50H
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