Noite histórica para Bigelow, a primeira mulher a vencer Óscar de Realizador
O David bateu o Golias. Um filme simples, de poucos meios, mas com uma história tensa e intensa derrotou todos na cerimónia dos Oscar, especialmente Avatar que foi batido inclusive nas categorias técnicas dos Oscares – um filme recordista no que custou e ainda mais no que rendeu e nas pessoas que levou ao cinema.
Kathryn Bigelow, até aqui mais conhecida por ser ex-mulher de James Cameron derrotou o filme dos milhares de efeitos especiais do ex-marido com um filme que passou despercebido em Portugal e está já, inclusive, em DVD. A provar que Hollywood nem sempre se deixa levar pela espectacularização do cinema, mesmo nas categorias técnicas.
A cerimónia começou com uma surpreendente entrada a cantar de Neil Patrick Harris, o Barney da série How I Met Your Mother. Só depois se seguiu o monólogo dos competentes e divertidos Steve Martin e Alec Baldwin, a quem faltou tempo e momentos memoráveis para brilharem verdadeiramente numa cerimónia apressada e com pouca música.
Quando se entrou nos prémios, tudo parecia monótono. Todos os favoritos estavam a ganhar. O primeiro foi Christoph Waltz, por Sacanas Sem Lei – parecia que Tarantino poderia ter a sua noite. O actor pouco experiente nas lides de Hollywood e que viveu um ano com o português Joaquim de Almeida, mostrou algum nervosismo.
Se Up - Altamente venceu sem surpresa a Melhor Animação, a música de T-Bone Burnett por Crazy Horse foi o primeiro prémio a surpreender, já que Randy Newman era favorito.
Robert Downey Jr. com os seus óculos que pareciam 3D e Tina Fey apresentaram o Oscar de Melhor Argumento Original. O Estado de Guerra venceu o seu primeiro da noite, bateu Sacanas Sem Lei, num prémio que foi o ponto de partida para uma noite inesquecível e que voltou a deixar Quentin Tarantino de mãos a abanar.
Ben Stiller não desperdiçou a oportunidade para aparecer vestido de Avatar e Mathew Broderick fez a primeira homenagem da noite, ao realizador John Hughes, conhecido por pérolas que retrataram adolescentes e crianças como O Rei dos Gazeteiros, Sozinho em Casa, entre muitos outros.
Seguiu-se o momento de Precious. O filme independente produzido por Oprah e com um elenco nomeado mas de desconhecidos venceu surpreendentemente o Argumento Adaptado e com menos surpresa a categoria de Actriz Secundária, para a pouco experiente Mo’Nique, que agradeceu à Academia olhar para a interpretação e não se deixar levar pela "política". Aliás, nas interpretações não houve surpresas na noite, venceram os favoritos.
Roger Corman (produtor) e Lauren Bacall (actriz) receberam prémios honorários mas tiveram de ficar-se pela plateia - foram "despachados" - onde receberam a primeira ovação da noite.
Nova surpresa surgiu nas categorias técnicas de Edição e Mistura de Som, onde o Estado de Guerra venceu a concorrência de favoritos todos eles com produções mais dispendiosas.
Os desaparecidos
A homenagem às pessoas do cinema que morreram em 2009 não teve o encanto do ano passado, mas não faltaram nomes. James Taylor tocou (na única música com letra de toda a cerimónia) e nos ecrãs passaram: Patrick Swayze. Eric Rohmer. David Carradine. Dom DeLuise. Ron Silver. Brittany Murphy. Michael Jackson. Natasha Richardson. Karl Malden. Entre outros.
The Cove, nas salas neste momento, venceu o melhor documentário, sem surpresa, mas o argentino El Segredo de sus Ojos pasmou tudo e todos ao vencer como Filme Estrangeiro, quando era dos menos favoritos. Up – Altamente venceu o segundo Óscar da noite na categoria de Banda Sonora, pertencente a Michael Giachinno e Avatar levou o prémio nos Efeitos Especiais.
O dia dos veteranos Sandra e Jeff
Os discursos da noite estavam reservados para depois. Jeff Bridges era favorito e venceu mesmo, cinco nomeações depois (a primeira data de 1971), o seu primeiro Óscar, festejando efusivamente com o Kodak Theatre de pé a aplaudir.
Sandra Bullock fez mais, deixou cair lágrimas. A actriz que nunca tinha estado nomeada e no dia anterior tinha ido receber um Razzie (os "Oscares" dos piores) para Pior Actriz, pelo filme All About Steve, vingou-se ao vencer o Oscar de Melhor Actriz por The Blind Side. Elogiou as outras nomeadas e revelou a sua paixão por Meryl Streep por entre suspiros. Dedicou o prémio às mães que tomam conta de crianças “venham de onde elas vieram”, que é o tema do seu filme.
Num ápice o pequeno, simples, mas repleto de tensão filme O Estado de Guerra, tornou-se o herói da noite. Barbara Streisand disse as palavras mágicas: “O Óscar vai para… uma realizadora! Kathryn Bigelow”.
No dia da Mulher, Hollywood dá o Óscar de Melhor Realizador a uma senhora, pela primeira vez. Kathryn estava nervosa, mas ficou incrédula quando Tom Hanks disse em 5 segundos que o Filme do Ano era mesmo O Estado de Guerra.
Acabou por ser uma cerimónia que desiludiu em termos de espectáculo mas que premiou um David contra os poderosos Golias e que contou com momentos de emoção.





4 comentários
foi ver o Avatar ao cinema e e um bom filme mas de entertenimento e espectaculo.
Creio que os filmes,podem nos ensinar a fazer reflectir e nesse sentido crescermos como pessoas.Foi este o caso de"Estado De Guerra"