Associação de bares defende gravação de imagens 24h/dia
Atualmente a gravação está legalmente limitada ao período noturno, entre as 21:00 e as 07:00.
"Não faz sentido esta limitação. O crime não tem hora para acontecer", disse à agência Lusa o presidente da ABZHP, António Fonseca, questionando o subaproveitamento do equipamento, tendo em conta o seu encargo.
O sistema de videovigilância da Ribeira do Porto, o primeiro autorizado em Portugal para funcionar na via pública, está ativo há meio ano, a completar na terça-feira, por iniciativa ABZHP.
António Fonseca reclamou ainda melhor iluminação pública da Ribeira, para tornar mais eficaz a videovigilância em período noturno.
As opiniões do dirigente associativo são corroboradas pelo subcomissário Tiago Gonçalves, que dirige, no Comando Metropolitano da PSP, a equipa de agentes incumbida de controlar as imagens captadas pelas 14 câmaras do sistema.
"Temos que reconhecer que este sistema [só] é válido desde que seja possível gravar e utilizar as imagens como meio de prova", afirmou o oficial.
Quanto à iluminação da zona, Tiago Gonçalves disse que "já foram feitas propostas para corrigir algumas inadequações", mas advertiu que se torna necessário melhorar também o próprio sistema de captação.
Defeitos à parte, a videovigilância da Ribeira do Porto já permitiu evitar ou sanar alguns incidentes, sobretudo agressões, "resultantes de um copo a mais ou de uma zanga entre os locais", e fornecer provas para algumas queixas-crime.
"Já temos alguns casos, uma meia dúzia, em que pediram imagens", referiu o subcomissário, que valoriza o sistema sobretudo como indutor do sentimento de segurança entre residentes e turistas.
"Veio dar maior segurança, não tanto a quem mora, porque esses conhecem como isto funciona, mas a quem aqui passa", confirmou o comerciante Rui Duarte, que, ainda assim, se queixa de falta de informação à população.
"Desconhece-se se isto é como no futebol: ou seja, se aquilo que a câmara filma tem ou não validade em tribunal", exemplificou.
Já José Gouveia, um eletricista reformado multiplicou-se em elogios ao sistema, declarando-o "uma boa opção em relação aos problemas da droga e dos assaltos", que existiam na zona.
Por sua vez, o turista catalão Ignacio Blanco garantiu que sempre se sentiu seguro em Portugal e que não se incomoda com a vigilância eletrónica.
"Venho de Barcelona onde também há câmaras", lembrou.
Dividido pareceu o croata Bortu Vlasimsky: "É o 'big brother watchting you' [o grande irmão que te vigia]. Mas, com o crescendo de criminalidade dos nossos dias, é preciso que algo nos proteja".
Tal como os visitantes, o presidente da Junta de Freguesia de São Nicolau, freguesia urbana a que pertence a Ribeira, reconhece virtualidades ao policiamento eletrónico, mas considera que as 14 câmaras do sistema são insuficientes.
A propósito de uma suposta persistência de tráfico de droga em zonas fora do raio de ação das câmaras, Jerónimo Ponciano declarou: "Existam ou não, as câmaras não eliminam os traficantes. Unicamente, o que pode acontecer é mudarem de lugar".







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