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torres vedras

Oposição contesta aquisição de peça de arte da artista Joana Vasconcelos

09 | 03 | 2010   09.27H

“Há outras prioridades e comprar uma peça de arte é uma ofensa para os munícipes de Torres Vedras perante as dificuldades que as famílias atravessam”, afirmou à Agência Lusa Paulo Bento, vereador e cabeça-de-lista à câmara pela coligação PSD/CDS-PP nas últimas eleições autárquicas.

A peça, intitulada “Sr. Vinho", de cinco metros de altura, foi adquirida pela Câmara Municipal de Torres Vedras para instalar na cidade e está em exposição até 18 de Maio no Jardim das Oliveiras, no Centro Cultural de Belém (onde está situado o Museu Berardo), integrada na exposição “Sem rede”.

A peça está avaliada em 300 mil euros, mas foi adquirida pela autarquia por 149 mil euros, revela o sítio online das contratações públicas.

O presidente da Câmara, Carlos Miguel (PS), esclareceu que o valor vai ser repartido ainda com mecenas, depois da encomenda feita à artista já no Verão de 2009, vindo a ser escolhido, entre duas propostas, a do garrafão por “reforçar a ligação de Torres Vedras ao vinho”.

Paulo Bento, que criou um movimento contra a aquisição da obra de arte na rede social da Internet facebook, defendeu que a verba paga pela autarquia deveria antes ser aplicada em obras nas escolas ou na recuperação de estradas “completamente danificadas”.

“Entendemos que equipamentos públicos de referência deviam ter uma obra de arte que os acompanhassem. Neste sentido, para o mercado municipal, que é a maior obra pública que a câmara fez [sete milhões de euros], decidimos ter uma obra de arte que melhor vincasse esse investimento”, justificou por seu lado Carlos Miguel.

“Lamentamos que mais uma vez o senhor presidente da câmara faça uma compra deste valor sem sequer levar o assunto à câmara, utilizando artifícios legais”, acrescentou, contestando que a maioria socialista não tenha informado o executivo da compra quando “ao que parece a encomenda está feita há mais de dois meses”.

O presidente da câmara justificou que, face ao valor da aquisição, a contratação poderia ser efetuada por ajuste direto, sem deliberação do executivo.

De acordo com o atelier da artista, as grades de ferro que dão a forma ao garrafão possuem padrões de vedações e guardas de varandas tradicionais, enfatizando o papel social, económico e religioso do vinho na sociedade portuguesa.

A exposição, com 35 peças, é a primeira mostra antológica do trabalho de Joana Vasconcelos dos últimos 15 anos de carreira.

Joana Vasconcelos tornou-se mais conhecida do público português depois da participação, em 2005, na Bienal Internacional de Arte de Veneza, onde apresentou "A Noiva", um lustre feito com vinte mil tampões higiénicos femininos escolhido como peça principal daquela exposição.

Desde então, as obras - que resultam muitas vezes da apropriação e subversão de objetos do quotidiano como talheres, meias, espanadores, comprimidos - têm sido apresentadas em exposições na Europa, América Latina e Estados Unidos.

Recentemente, dois sapatos gigantescos criados com os tradicionais tachos portugueses - símbolo da conjugação do glamour e da vida doméstica feminina - foram vendidos em Londres num leilão da Christie´s por mais de 500 mil euros.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

1 comentário

  • aSSIM pORTUGAL CONTINUARÁ A ANDAR PARA A FRENTE..., COMO ATÉ AQUI... E DEPOIS DE aBRIL.......oREMOS ENTÃO...!
    3,1416 | 09.03.2010 | 13.37Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
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