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Concerto

A idade fica tão bem aos Cranberries

11 | 03 | 2010   12.10H

Em resposta ao teaser televisivo que passou nos últimos tempos com a pergunta “Quantos refrões dos Cranberries sabe cantar?”, o Campo Pequeno respondeu esta quarta-feira à noite: Muitos! Tantos quanto os singles que ecoaram no recinto, a rebentar pelas costuras de fãs saudosos do grupo de rock alternativo que foi rei nos anos 90.

“Analyse” surgiu pontual sob uma chuva ensurdecedora de gritos e aplausos, tal era a excitação dos portugueses em reencontrar os velhos amigos irlandeses. À canção de abertura seguiram-se vários singles como “Animal Instinct”, “Linger” (momento emocionante, com um mar de braços no ar), “When You’re Gone”, “Ode to My Family” e “Be With You”. O coro, esse, esteve bem presente. E Dolores não se importou que as habilidades vocais dos fãs a substituíssem em alguns dos refrões. As letras estavam na ponta da língua, mesmo depois de tantos anos, talvez graças aos CD's empoeirados na sala-de-estar.

Dolores O’Riordan continua igual a si própria, seja no estilo, seja na voz, e apesar dos seus 38 anos e três filhos, não perdeu o tom comunicativo e o ritmo algo desengonçado que conquistou o público desde o início. A vocalista presenteou ainda as bancadas e a plateia com uns passos típicos irlandeses a meio de um dos temas.

O rock mais “agressivo” dos Cranberries deu pelo nome de “Salvation”, “Zombie” e “Promises”. A sala tauromáquica estremeceu no tema sobre a violência na Irlanda do Norte entre protestantes e católicos, mas não o suficiente para o clássico mosh, já que a audiência se compunha por casais e grupos de amigos na casa dos 30. “Dreams” fechou a hora e meia de um concerto simples e cheio de empatia, onde o que conta são as canções.

Há bandas que fazem bem em parar uns anos e os Cranberries são definitivamente uma delas. Pois em vez de editarem trabalhos menos felizes em termos de criatividade, vendas e mediatismo, tempos a fio, acabando por cair no esquecimento, regressam assim em grande, envergando a camisola vintage do clube das digressões “greatest hits”. Mas alegrem-se os que não conseguiram assistir ao retorno, já que uma nova data ficou no ar.

Vera Esteves | vesteves@destak.pt
Foto: José Sena Goulão/Lusa
A idade fica tão bem aos Cranberries | © José Sena Goulão/Lusa

3 comentários

  • Desde o Vozeirão da Dolores q continua fantástica até á empatia q existiu naquela sala foi um concerto cheio de emoções.O que mais me chamou atenção foi que estava na plateia e o que compunha a audiência eram adolescentes e não os grupos na casa dos 30 como eu. Fico feliz que assim seja para continuar o seu legado.
    Joana | 12.03.2010 | 10.42H
  • Foi simplesmente fantástico!
    Guida | 12.03.2010 | 09.57H
  • bons tempos, grandes bandas. ainda bem que não houve "mosh" e outros imbecilidades praticadas muitas vezes nos concertos.
    a | 11.03.2010 | 13.56H
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