Logótipo XL |Automotor |Classificados |Correio da Manhã |Destak |Jornal de Negócios |Máxima |Record |Rotas & Destinos |Semana Informática
especialista norte-americano afirma

«Cooperação com NATO não é prioritária para o Brasil»

12 | 03 | 2010   11.42H

"O Brasil não está interessado em estabelecer alianças que podem limitar a autonomia e a independência do país. Nem com Hugo Chávez (Presidente da Venezuela), nem com o Irão ou muito menos com os Estados Unidos", disse hoje à Lusa Thomas Bruneau, professor especializado na área da segurança, que realizou esta semana em Lisboa duas conferências sobre o tema.

Docente do Naval Postgraduate School, Bruneau tem desenvolvido um importante trabalho de pesquisa e escrito vários artigos sobre a América Latina, sobretudo o Brasil.

O "recentramento" da estratégia da NATO no Atlântico e um possível reforço da área de influência ao Atlântico sul têm sido alguns dos cenários traçados sobre um futuro conceito estratégico da Aliança Atlântica, que poderá sair da cimeira agendada para Lisboa em novembro deste ano.

"Não vejo nada que seja aceitável para o Brasil ponderar uma futura relação entre o país e a NATO. Fazendo uma avaliação sobre os benefícios desta relação, não vejo nenhuns benefícios", reforçou.

Para o académico, as preocupações de Brasília estão focadas na segurança interna do país e na "grande consciência da possibilidade de atos de terrorismo" durante eventos como o Campeonato do Mundo de Futebol, em 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016.

"Neste momento, o Brasil está a olhar para dentro", reforçou.

Questionado sobre a reativação da Quarta Frota norte-americana nas águas sul-americanas, que causou desconforto e desconfiança em diversos países da América Latina, Thomas Bruneau minimizou a situação, ironizando que a informação divulgada sobre este tema "foi um dos maiores fracassos dos media" e "foi muito mal explicada".

"Eu próprio já participei na Quarta Frota e muitas vezes é apenas um navio, não é uma frota (...), é uma figura administrativa", afirmou.

Para o docente, a informação divulgada só permitiu, por exemplo, que o Presidente venezuelano Hugo Chávez fizesse declarações a empolar o assunto.

A Quarta Frota foi criada em 1943 para enfrentar a ameaça nazi e desativada em 1950. Em julho de 2008, ainda sob a administração de George W. Bush, voltou a realizar operações nos mares da América Latina.

Na altura, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, pediu explicações a Washington.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE