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educação

FNE defende responsabilização dos pais pelos actos dos alunos

12 | 03 | 2010   12.08H

"Considero que deve haver uma responsabilização dos pais ou encarregados de educação em relação ao comportamento de desrespeito dos alunos para com os professores e funcionários das escolas. Deverão existir mecanismos que façam com que os pais sejam também responsabilizados", declarou o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva.

O responsável reagia ao suicídio de um professor de Música da Escola Básica 2/3 de Fitares, em Rio de Mouro (concelho de Sintra), alegadamente por ser alvo de actos de indisciplina dos alunos.

Questionado sobre se teve conhecimento deste caso em concreto, João Dias da Silva disse que não, embora adiante ter já recebido relatos de situações semelhantes: "Aquilo que nos chega é o crescimento exponencial do número de professores desanimados, sob um stress extremamente forte, que recorrem a apoio psicológico".

Segundo o secretário-geral da FNE, os professores estão entre os grupos profissionais que "mais frequentam consultas psicológicas", ainda que não existam "dados estatísticos" sobre o assunto.

João Dias da Silva alerta ainda para a "complexidade do trabalho do professor", das exigências e das responsabilidades que recaem sobre este profissional, além da "pressão psicológica" a que estão sujeitos para "manter a ordem na sala de aula".

À Lusa, este dirigente defendeu ainda a existência de um "conjunto de técnicos especializados" nas escolas, além dos professores, cuja função seria "dar apoio aos alunos" com dificuldades de integração ou com problemas comportamentais.

"É preciso não esquecer que os professores substituem, muitas vezes, os pais, os encarregados de educação, os assistentes sociais e os psicólogos", sublinhou, acrescentando que os docentes têm sido confrontados com "o crescimento imenso de responsabilidades".

Por outro lado, João Dias da Silva recordou que os estabelecimentos de ensino têm de seguir regras "de tal forma complexas e exigentes" para apurar a causa das queixas e dos problemas que, muitas vezes, "os procedimentos a seguir causam mais problemas" para os professores "do que soluções".

Segundo os jornais Público e i, o professor de Música que se suicidou, alegadamente por ser alvo da indisciplina dos alunos, tinha 51 anos, era licenciado em Sociologia, vivia com os pais em Oeiras e tinha sido colocado na Escola Básica 2/3 de Fitares no início deste ano letivo.

O suicídio ocorreu no passado dia 09 de fevereiro, altura em que o docente parou o carro na Ponte 25 de Abril, no sentido Lisboa/Almada, tendo-se atirado para o Tejo.

De acordo com os dois diários, terá sido encontrado um texto no computador do professor, no qual este afirmava: "Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio".

Já na semana passada, a Confederação das Associações de Pais (Confap) sugeriu que as famílias sejam responsabilizadas pelos atos de violência dos filhos dentro da escola, seja através da retenção de parte dos apoios sociais, seja através de multas ou retenções nos impostos, entre outras medidas.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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