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Educação

Pais e professores da EB 2.3 de Fitares indignados

12 | 03 | 2010   12.11H

Um professor de Música da Escola Básica 2.3 de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra, ter-se-á suicidado por ser alvo da indisciplina dos seus alunos, noticiam hoje os jornais Público e i.

Alguns pais estiveram hoje de manhã concentrados em frente à escola, mostrando indignação por o suicídio do professor estar a ser associado a maus tratos por parte dos alunos do 9.º B.

A encarregada de educação de um dos estudantes desta turma disse aos jornalistas que “é impossível que o professor se tenha suicidado por causa dos alunos". "Alguém que pratica um ato destes tem que ter antecedentes. Ninguém se suicida por causa de uma turma. Nunca ouvi falar de violência nas aulas”, disse.

“Quando cheguei à escola vi adolescentes muito revoltados. Os alunos do 9.º B dizem que é mentira, que não tiveram responsabilidades no suicídio do professor”, adiantou.

Alfredo Luís, pai de um dos alunos do estabelecimento de ensino, disse à Lusa que lhe “custa a acreditar” que o suicídio do docente tenha como causa maus tratos por parte dos alunos. “Deve haver mais coisas. Nesta escola há insegurança, como há noutras. Há situações de bullying com colegas do meu filho, e um deles levava tareias todos os dias”.

Também professores contactados pela Lusa junto ao estabelecimento recusaram a associação do suicídio com o comportamento dos alunos, argumentando que o docente de Educação Musical já tinha antecedentes de depressão.

“O professor estava com uma grande depressão. Estava a ter acompanhamento psicológico e a escola fez tudo o que pôde”, sublinhou um docente que pediu anonimato. O mesmo professor afirmou estão “perturbados com esta notícia” e já se encontram a receber apoio psicológico.

“Também sou professora de música e nunca ouvi dizer que [o professor] era alvo de gozo e de maus tratos. Ele nunca nos disse nada”, disse à agência Lusa uma docente que pediu para não ser identificada.

Esta professora adiantou que a escola não tem casos de violência, “apenas as coisas normais”.

A Lusa tentou falar com a diretora da EB 2 3 de Fitares, que até ao momento se mostrou incontactável.

Segundo os jornais, o professor suicidou-se a 09 de fevereiro, tendo deixado, no seu computador pessoal, um texto que afirmava: "Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio".

De acordo com o i, os problemas do professor ocorreram com um grupo de alunos do 9º ano que o insultavam na aula, e que motivaram "pelo menos sete" participações do professor à direção da escola. Colegas e familiares do professor asseguram que a direção não instaurou qualquer processo disciplinar, escreve ainda o i.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

5 comentários

  • Excelentíssima D./Dra ? Marial,
    Gostaria, em primeiro lugar, de apresentar as minhas mais sinceras desculpas se, em algum momento, do meu comentário ofendi vossa excelência. Não foi esse o meu intuito! Apenas me limitei a apresentar a minha discordância relativamente ao modo como versou o morte deste homem e o trabalho dos profissionais do ensino.
    Em segundo lugar, informo vossa excelência que também não tenho por hábito responder a comentários. Estou apenas a fazê-lo porque queria esclarecer alguns aspectos que foram, erradamente, deduzidos por vossa excelência.
    Assim, em momento algum, referi que sou professora; sou sim alguém que conhece muito bem a realidade escolar, do ponto de vista dos alunos e dos professores e foi essa a razão que me levou a manifestar a minha indignação face ao seu primeiro comentário . Sei que os docentes não concordam com o actual modelo de avaliação; desconheço que não queiram ser avaliados! Mas este assunto NADA tem a ver com o tema em causa. Seguidamente, gostaria de lhe dizer que não me considero cobarde, como, pretende caracterizar-me, quando utiliza o advérbio "cobardemente" para definir a minha actuação. Com o devido respeito não lhe admito tal epíteto.
    Finalmente, não procedi ao comentário transacto para defender "o meu colega", como refere. O Luís não era meu colega; era um conhecido, ALGUÉM com quem troquei apenas algumas palavras e sobre quem não sei tecer qualquer tipo de caracterização. No entanto, conheço bem alguns dos seus familiares e sei o quão dolorosa esta morte está a ser; também eu perdi ALGUÉM recentemente ( não foi um suicídio, mas uma morte natural); senti o amargo sabor da perda e, como tal, custa-me que alguém se sirva da morte de um SER HUMANO para criticar os professores, as escolas e para apresentar uma solução tão .. primária, já que um bom gestor não tem necessariamente de ser um "licenciado em gestão", mas sim alguém que conheça a área que se encontra a gerir "por dentro e por fora", perdoe-se o coloquialismo. De salientar ainda, que a grande maioria dos actuais directores escolares frequentaram ou estão a frequetar formações na área da gestão ESCOLAR.
    Atentamente,
    Matilde.
    Matilde Smith | 12.03.2010 | 20.13H
  • Cara Matilde, por norma não costumo responder a comentários, sejam de quem forem e ou sejam de opiniões contrárias ou a favor das minhas. Mas como invocou cobardemente a morte de um professor para atingir os seus objectivos, tenho de lhe dizer que lamento a morte do mesmo, como lamento a morte dos alunos que se vão suicidando devido à incuria e incompetencia de alguns professores.
    Não pense a senhora Matilde que é a ofender quem tem opiniões diferentes das suas que resolve o seu problema de professora. O problema dos professores é fruto deles próprios, por quererem "gerir" as escolas para não serem avaliados e controlados no seu desempenho.
    Reitero a solução preconizada no meu comentário anterior, à qual, o seu comentário, só veio dar razão!
    O que é muito feio da sua parte é a senhora aproveitar-se da morte de um colega seu para insistir nos disparates que os professores, erradamente, vêm defendendo.
    Pela minha parte, e duvido que pela sua, lamento a morte do professor e dos alunos. P.S.(repito que não costumo responder aos comentários, pelo que não o farei mais vez nenhuma)
    MariaL | 12.03.2010 | 16.43H
  • Já é sabido de quem mora na localidade, incluindo eu, que é uma zona com muitos marginais, que começam muito novos a fazer porcaria, tendo eu frequentado uma escola da zona, em que a realidade é bastante similar, não á muito tempo diga-se, uns 7 anos atrás, assisti a professores a serem agredidos e a levarem muita porrada, e tambem eu ja assisti a episodios de violencia a outros alunos e até eu próprio. Deve haver policiamento no interior do recinto escolar, e quando digo policiamento é mesmo patrulha e não apenas o carro á porta da escola, isto agora é giro andarem a passear de Grand Punto e tal riscas azuis, no pópó mas quando há porcaria onde eles andam? onde andam eles quando os professores e alunos levam porrada dos deliquentes? Há que haver disciplina, está a vista, vão voces proprios ver o que os vossos filhos podem estar a ser na escola, muitos não fazem ideia de comos eles são fora de casa...
    RB | 12.03.2010 | 16.43H
  • Considero lamentável o primeiro comentário apresentado a propósito da morte de UM SER HUMANO. Certamente, o/a responsável por tais afirmações não faz ideia do que é ser PROFESSOR e atreve-se a pôr em causa a competência destes profissionais. Deve tratar-se de um/a "iluminado/a", que tem solução para tudo. Convido-/ao a gerir uma escola durante ... um mês. Daqui a um mês gostaria de voltar a ler um comentário desse/a SENHOR/A!
    Matilde Smith | 12.03.2010 | 16.33H
  • Suicidam-se professores, suicidam-se alunos. Quando é que esta gente se convence, e em especial os próprios professores, que as escolas têm de ser geridas por gestores qualificados e não pelos próprios professores?!
    Os professores devem limitar-se ao ensino. A gestão das escolas deve ser entregue a gestores sem vinculo ao ensino. No dia em que isso acontecer, acabam-se os problemas nas escolas. Mas os professores querem ser eles a "gerir" para fazerem os disparates que querem e lhes apetece sem que ninguem os avalie e observe o seu desempenho.
    Com a gestão das escolas entregue a pessoas não docentes, o trabalho dos professores ficará muito mais facilitado, pois limitam-se à tarefa que lhes compete, ensinar, e todos os restantes assuntos, como a indiciplina, o cumprimento dos horários, quer por professores, quer por alunos, etc... serão tratads pelo gestor, não perturbando, assim, o trabalho dos professores que com este modelo actual, perdem mais tempo a tratar de assuntos que lhes são alheios do que a ensinar que, essa sim, é a sua missão.
    MariaL | 12.03.2010 | 13.15H
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