Apifarma: «Queda do mercado obriga a inevitáveis reduções»
Para João Almeida Lopes, o “aumento da despesa decorre acima de tudo dos objetivos e das metas fixadas no Plano Nacional de Saúde, as quais não são compatíveis com os tetos definidos para o crescimento anual da despesa com medicamentos”.
De acordo com os dados da Apifarma, a que a Lusa teve acesso, o mercado farmacêutico contraiu-se 3,4 por cento em unidades vendidas e 0,1 por cento em valor durante o mês de janeiro.
O mercado manteve no mês passado a tendência de crescimento negativo, ao registar, relativamente ao período homólogo, uma descida de 3,4 por cento em unidades e um decréscimo de 0,1 por cento em valor. Em janeiro, os mesmos indicadores eram de -9,2 por cento e -4,4 por cento, respectivamente.
O responsável refere que o cenário de tendência negativa no mercado dos medicamentos reforça a “preocupação manifestada junto dos governantes” pelas empresas farmacêuticas sobre os seus “constrangimentos” atuais e que as “obrigam a inevitáveis reduções” de investimento e emprego. A "situação afecta toda a cadeia de valor do medicamento”, assegura.
“Por outro lado, [os dados] evidenciam claramente que o anunciado aumento da despesa pública com medicamentos não reverteu para a indústria farmacêutica, antes pelo contrário”.
O presidente da Apifarma, João Almeida Lopes, considera que os crescimentos negativos resultam da falta de compatibilidade entre as metas do Plano Nacional de Saúde. Em causa está o facto de existir, ao mesmo tempo, um plano para aumentar a produção de cuidados de saúde e um limite para o aumento da despesa decorrente dessa subida.
Esta tendência de contração do mercado farmacêutico já se verificou em 2009. O “mercado ambulatório de medicamentos registou, pela primeira vez, uma evolução negativa (-0,5 por cento), depois de ter sido nula em 2008", acrescentou o responsável, em declarações à Lusa.
Estes números, prossegue a Apifarma, mostram um “comportamento do mercado de medicamentos claramente em contraciclo com a despesa do Serviço Nacional de Saúde” nesta área, que no ano passado aumentou 5,8 por cento.
O crescimento, no entanto, não é uniforme. Há uma "tendência de crescimento contrária entre medicamentos de marca e medicamentos genéricos”, afirma, sublinhando que o primeiro grupo teve um decréscimo homólogo de 3,3 por cento em valor e 6,4 por cento em unidades. No mercado dos genéricos, por outro lado, houve um crescimento de 17,3 por cento em valor e 14,9 por cento em unidades.
Em Fevereiro, os genéricos atingiram uma quota de mercado de 18,1 por cento em valor e 16,5 por cento em unidades, em comparação com o mesmo período do ano passado.





