«Portugal vai ser uma população de vários paises»
“O século XXI será, provavelmente, por variadíssimas razões, um tempo de mobilidade de pessoas como nenhum outro período o foi ao longo da história”, prevê o investigador, que falou, em Coimbra, na noite de sexta-feira, num jantar-debate sobre a “demografia em Portugal”.
A previsível grande mobilidade das populações sentir-se-á de modo mais acentuado em países como o nosso, onde, por exemplo, as taxas de natalidade têm vindo a baixar de modo significativo.
O facto de Portugal ser “uma das economias europeias onde, em proporção, há mais pessoas na idade activa a trabalhar” é outras das causas que contribuirá para um admissível fluxo imigratório, refere José Reis.
Em Portugal, “o mercado de trabalho absorve quase 80 por cento da população em idade activa, percentagem só comparável à dos países escandinavos”.
“Se a taxa de empregabilidade”, no nosso país, em relação à sua população activa, fosse idêntica aos índices de países como Grécia, Irlanda ou Alemanha, “teríamos menos meio milhão de pessoas em idade activa a trabalhar”, afirma.
A previsível grande mobilidade de pessoas, “à escala mundial”, que se repercutirá de modo significativo em Portugal, é, na óptica de José Reis, um fenómeno positivo.
“Creio que todas as sociedades ganharão muito com este processo demográfico”, disse.
Detendo-se numa perspetiva essencialmente médica, Agostinho Almeida Santos, especialista em genética médica, sublinhou que “Portugal está a perder população a um ritmo crescente, contínuo e preocupante”.
Em 2050, o nosso país “terá menos um milhão de habitantes do que hoje” se não forem adotadas “medidas efectivas para aumentar a taxa de natalidade”.
“Os subsídios insignificantes, atribuídos por algumas autarquias, ou os igualmente insignificantes depósitos estatais não servem rigorosamente para nada”, sustentou o especialista em reprodução medicamente assistida.
“O essencial não foi ainda assumido”, sublinhou.
“São constituídos, em média, por ano, 47 mil novos casais, em Portugal”, indicou Agostinho Almeida Santos.
Destes, cerca de dez por cento, por razões relacionadas com questões de infertilidade ou esterilidade, “não têm filhos, embora os desejem”, defendeu.
Mas “é possível alcançar a gravidez em 75 por cento daqueles casos”, exemplificou Agostinho Almeida Santos.
O jantar-debate sobre a “demografia em Portugal”, promovido pelo grupo de reflexão Questão Coimbrã, Clube de Empresários de Coimbra e Associação dos Antigos Oficiais da Armada, foi também uma homenagem a Agostinho Almeida Santos.
Em Janeiro, Agostinho Almeida Santos antecipou seis meses a sua reforma, enquanto médico e professor da Faculdade de Medicina de Coimbra, por não ter “condições para exercer com dignidade a missão hospitalar e universitária”.
Para a sua decisão, foi determinante a extinção do Departamento de Medicina Materno-Fetal, Genética e Reprodução Humana, que dirigia.




4 comentários
Concordo plenamente, só falta um governo em condições para acabar com isso...
além do mais deveriamos era estar contentes pela população diminuir naturalmente, sem necessidade de politicas tipo chinesas, ou ainda não se convenceram e a maioria dos problemas do planeta se deve ao excesso populacional.