Suicídio é a segunda causa de morte dos adolescentes
"O suicídio é a segunda causa de morte dos adolescentes, entre os 14 e os 24 anos, depois dos acidentes de viação. Mas nesta faixa etária são mais as tentativas de suicídio do que os suicídios", disse à agência Lusa Maria Manuela Correia, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS).
Na infância "são muito poucos os casos", mas a especialista alertou que a tendência é haver suicídios cada vez "mais precoces".
"A idade com que as pessoas se suicidam tem vindo progressivamente a decrescer", existindo "em idades mais precoces, como na infância", sublinhou Maria Manuela Correia, também da direcção do Núcleo de Estudos do Suicídio (NES) do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Esta tendência deve-se, segundo a especialista, "a múltiplos factores", como educacionais, falta de redes sociais, défice de controlo dos impulsos e alteração da dinâmica das famílias.
Apesar de o suicídio ser a segunda causa de morte na adolescência, estas mortes são mais frequentes na idade adulta, sobretudo no homem com mais de 65 anos.
Em contrapartida, as tentativas de suicídio são mais comuns na adolescência, principalmente nas raparigas, enquanto os rapazes têm uma maior taxa de concretização do suicídio, adiantou.
Segundo dados do NES, 40 adolescentes suicidaram-se em 2001, 60 em 2002, 50 em 2003, 45 em 2004 e 24 em 2005 (dados mais recentes).
A especialista explicou que, apesar da diminuição dos casos registados, não se pode tirar conclusões, porque "há sempre uma subvalorização das taxas" e "muitas pessoas não relatam" os casos.
O bullying (violência física ou verbal reiterada) e as zangas nos relacionamentos, entre amigos, namorados ou com os pais, contribuem para os suicídios na adolescência, sendo um fator que precipita a morte voluntária em jovens que estão "em sofrimento", mas não a causa.
Segundo a vice-presidente da SPS, 90 por cento dos casos estão relacionados com patologias psiquiátricas e depressões, que se arrastam algum tempo.
Há um conjunto de sinais de alarme que indicam que o jovem está "em sofrimento": Insónias, isolamento, quebra do rendimento escolar, falar muito sobre a morte, ficar mais conflituoso, queixas corporais múltiplas (dores de cabeça, barriga, estômago, ombro e pernas) e comportamentos de risco, nomeadamente fugas, furtos e mentiras.
"Os sinais de alerta são muito importantes, através deles os pais e até os professores podem ir ao encontro de um jovem que está em sofrimento", adiantou, recordando que estes sinais "muitas vezes não são valorizados" porque pais e professores dizem que "que é normal e que o jovem está a chamar a atenção".
De acordo com Maria Manuela Correia, tem vindo a aumentar o número de jovens que recorre ao serviço de psiquiatria do Hospital de Santa Maria, principalmente durante as férias do verão, bem como no início e fim do ano escolar.


