Socialistas maior força política, abstenção "ganha" nas regionais
Após a primeira volta, inicia-se já hoje a maratona de negociações entre as maiores forças políticas francesas para preparar as alianças para a segunda volta deste sufrágio por voto direto e universal.
A aritmética política pode, desse modo, conceder aos socialistas o pleno do mapa das regiões de França Metropolitana, sozinhos ou com aliados à esquerda. Poderá ser o caso de Île de France (que inclui Paris) e da Alsácia (leste), duas regiões importantes onde os cabeças de lista do PS perderam para a União para um Movimento Popular (UMP) na primeira volta.
A UMP venceu em 10 das 26 regiões francesas (em nove das 22 regiões metropolitanas) e as restantes foram ganhas pelo PS, que pode contar, para a segunda volta, com uma hegemonia do conjunto da esquerda a nível nacional.
A UMP sofreu uma pesada derrota na primeira volta, a 3,5 pontos percentuais do PS, o que, para a generalidade dos analistas na imprensa francesa desta segunda feira, coloca em questão a estratégia do Presidente da República, Nicolas Sarkozy, e do seu primeiro-ministro, François Filllon.
O chefe do Governo remeteu para a segunda volta, a 21 de março, a decisão do eleitorado francês, declarando, pouco depois do encerramento das urnas, que "o nível de abstenção não permite tirar lições nacionais dos resultados" e que "nada está ainda decidido".
A possibilidade de crescimento eleitoral da UMP na segunda volta parece, no entanto, limitada pelo bom resultado da Frente Nacional (FN, extrema direita), que segue na corrida eleitoral em doze das 22 regiões metropolitanas e que obteve, a nível nacional, quase 11 por cento de votos.
O líder histórico da extrema direita francesa, Jean-Marie Le Pen, obteve mesmo 21 por cento na região em que era cabeça de lista, Provence-Alpes-Côtes d'Azur, e a FN será essencial na triangulação de alianças para a segunda volta.
"A FN voltou em força à política nacional", declarou Jean-Marie Le Pen, que dirigiu a sua satisfação ao Presidente da República, que tinha anunciado "o fim" da FN.
As regionais consolidaram a coligação Europa Ecologia como terceira força política, acima dos 12 por cento de votos a nível nacional, e marcaram o afundamento, com menos de 5 por cento de sufrágios, do projeto democrata cristão do Modem, de François Bayrou, que no domingo à noite enfrentava críticas duras do seu próprio partido.
Pelo contrário, a noite eleitoral foi de júbilo nas sedes de campanha dos socialistas Ségolène Royal, presidente do Conselho Regional de Poitou-Charentes (oeste), e Georges Frêche, presidente do Languedoc-Roussillon, que ganhou como uma lista própria apesar de ter sido afastado a meio da campanha pela direção nacional do PS.



