Leigos católicos exigem que Papa peça desculpa às vítimas de abusos sexuais
"Este escândalo está a preocupar as pessoas, tanto os que são crentes como os que não são, e o Papa devia pronunciar-se", disse o presidente da Confederação da Juventude Católica Alemã, Dirk Tanzler, ao jornal Berliner Zeitung.
O Sumo Pontífice "devia dar esclarecimentos à opinião pública, porque a Igreja Católica está a atravessar uma das suas crises mais profundas desde 1945", acrescentou o mesmo responsável.
Já no fim de semana, o presidente do Comité Central dos Leigos católicos Alemães, Alois Glueck, exigiu que a Igreja "retire as consequências de índole estrutural e averigue se há razões específicas no seu interior que fomentem os abusos".
Glueck exigiu, no mesmo contexto, que seja debatida na Igreja a questão da sexualidade, nomeadamente no que se refere à seleção de sacerdotes, e considerou a liberalização do celibato "um caminho possível".
Na opinião de Glueck, que é também deputado federal da União Social Cristã da Baviera (CSU), a Igreja Católica "está perante a mais grave acusação" de que há memória nos tempos modernos.
Políticos do Governo e da oposição pronunciaram-se também sobre o escândalo de abusos sexuais no seio da Igreja.
A ministra da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, que anteriormente já tinha acusado a Igreja Católica de bloquear as investigações contra padres pedófilos, advogou a criação de uma comissão de inquérito independente para investigar quase duas centenas de casos que vieram entretanto a público.
A maioria dos casos ocorreu há várias dezenas de anos, e já prescreveram judicialmente, mas há também abusos mais recentes.
Após uma audiência com o Papa, no Vaticano, na sexta feira, o presidente da Conferência Episcopal Alemã, arcebispo Robert Zollitasch, disse, no entanto, que Bento XVI "está muito abalado" com as revelações de quase duas centenas de abusos físicos e sexuais em internatos e outras instituições da Igreja Católica germânica.
Já depois da audiência, foi revelado que Joseph Ratzinger acolheu na diocese de Munique, onde foi arcebispo, entre 1977 e 1982, um sacerdote transferido de outra diocese após ter abuso sexualmente de menores.
A diocese negou no sábado o envolvimento direto de Ratzinger no caso, e o Vaticano, através do seu porta-voz oficial, falou de uma "tentativa insistente" de envolver pessoalmente o Papa no escândalo.






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