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tendências

A moda quando nasce é para todos

15 | 03 | 2010   10.07H

Saias mais ou menos curtas, tecidos lisos ou estampados, cores suaves ou uma paleta de fazer revirar os olhos. Nas montras, as colecções Primavera/Verão ganham espaço, apelando à vaidade e remetendo para os dias quentes que tardam a chegar. Dos mais clássicos aos mais arrojados, do chic ao sporty, passando pelo grunge, são muitos os looks, tantos que o difícil é mesmo - depois de ultrapassado o obstáculo do preço - a escolha. É para ajudar os mais indecisos que o CascaiShopping disponibiliza, até 21 de Março, um consultor de moda que dá aos clientes do centro comercial um aconselhamento privado, personalizado e gratuito.

Depois de Cascais, a iniciativa segue para o AlgarveShopping (26 de Março a 4 de Abril), passando ainda pelo Madeira Shopping (23 de Abril a 2 de Maio), seguindo a máxima de que estar na moda não é só para alguns.

«As pessoas reagem muito bem ao facto de terem uma equipa inteiramente disponível para os receber e aconselhar», garante ao Destak Carla Pereira, Cluster Manager dos Centros Fashion Sonae Sierra. «Muitas vezes, a nossa equipa de consultores devolve aos visitantes a motivação, a auto-estima e o gosto por si próprios e pelo seu corpo», acrescenta.

Democrática e acessível
Um dos objectivos da iniciativa é, avança a responsável pelo projecto, «tornar a moda acessível, democratizá-la e contribuir para um País mais fashion».
Mas estará, de facto, o conceito de moda mais democrático? Isabel Cantista, professora de Inovação e Marketing na Universidade Lusíada do Porto e responsável, nos últimos anos, por vários trabalhos na área do Marketing da Moda arrisca uma resposta. «O número e variedade de produtos de moda, do vestuário ao calçado e acessórios, é muito maior hoje em dia. E, sob esse ponto de vista, a moda está mais acessível, mais democrática», refere a especialista.

No entanto, reforça que «ainda não é acessível a toda a gente quando se pensa na elegância que deve ser cultivada individualmente. Quando vamos pela rua, ao olharmos as pessoas, vemos cada vez mais as mesmas formas, a mesma palete de cores. Roupa que não assenta bem. É difícil encontrar pessoas que sejam atractivas e se singularizam pelo modo como se apresentam».

Ditadura da aparência
Glamour e espectáculo, homens e mulheres bonitas, elegância e muita cor são alguns dos ingredientes de eventos de moda, como a semana oficial da moda Portuguesa - a Moda Lisboa - que ontem chegou ao fim. Neles se conhecem as tendências da estação, os melhores trapinhos para quem não quer ficar out. Até porque, nos dias de hoje, a aparência é tudo, ou quase tudo. Isabel Cantista confirma. Ou não fosse a imagem «a primeira forma de contacto com os outros».

Mas, garante ainda a especialista, «nenhuma relação se estabelece puramente na aparência». Ainda assim, deixa o conselho: «é preciso que o consumidor e consumidora gastem algum tempo a procurar e a imaginar os melhores conjuntos de vestuário e acessórios, em que a sua personalidade "brilhe"».

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Entre as tendências da estação estão o grunge dos anos 90, com bolsos aplicados, lantejoulas, calças desbotadas, coletes, casacos em caqui. Mas há mais, o sporty/urbano está também na moda, com as peças justas ou largas com um look urbano e descomprometido, com cores fortes. Finalmente, o nude ton-sur-ton, com as cores de aguarela onde predominam os pasteis, drapeados que ajudam a esculpir as silhuetas e os motivos florais.

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Futuro da moda: utopia ou realidade

Num mundo onde se perde a conta ao número de ofertas, são cada vez mais os desafios que se colocam aos designers e criadores de tendências. Para Isabel Cantista, o futuro da moda corresponde, até certo ponto, a uma utopia.

«Acredito que irá haver cada vez mais profissionais com melhor preparação e que apresentem novas propostas, fazendo com que a moda não perca a sua raiz de criatividade. E haverá consumidores mais informados e com uma maior cultura de valores estéticos e éticos». O importante é conseguir combinar com sucesso criatividade e preços acessíveis, para se conseguir «uma sociedade mais bonita e original».

Foto: Luis Pó
A moda quando nasce é para todos | © Luis Pó

1 comentário

  • O facto de a aparência hoje ser quase tudo tem a ver com o PODER FEMININO na sociedade, as mulheres são as grandes responsáveis da cultura de futilidade que grassa por esse mundo fora...
    Charles | 16.03.2010 | 09.05Hver comentário denunciado
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