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França/Eleições

Imprensa destaca «derrota histórica» da direita mas sublinha desafios socialistas

15 | 03 | 2010   11.14H

«Uff, a esquerda voltou» é a manchete do diário Libération, conotado com a esquerda francesa, e que coloca na primeira página uma caricatura de Martine Aubry, líder do Partido Socialista (PS) em posição de vitória no ringue contra o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

O PS obteve 30 por cento dos votos na primeira volta e recuperou a posição de maior partido francês. A União para um Movimento Popular (UMP) situou-se abaixo dos 27 por cento, segundo a última atualização do Ministério do Interior francês.

Para o diretor do Libération, Laurent Joffrin, a derrota da direita republicana evoca imagens de grandes derrotas militares. «Waterloo? Sedan? Azincourt? La Bérézina? Hesitamos», escreve o editorialista, que assinala ser «difícil lembrar um resultado tão baixo da direita na primeira volta de um escrutínio nacional».

«A direita obteve, a custo, um quarto do eleitorado francês na primeira volta das regionais» e, apesar de se tratar de «eleições intermediárias», as regionais podem ser vistas como «uma sondagem à escala nacional com resultados desastrosos» para a maioria parlamentar da UMP e aliados.

O editorialista do Libé constata uma «mudança de paisagem mental e de paisagem política», uma vez que a oposição tem, a partir de agora, «condições para se organizar e vencer» não só a segunda volta das regionais, no próximo domingo, mas também as presidenciais de 2012.

Vários analistas da imprensa francesa, incluindo do Libération, lembram que Martine Aubry terá que consolidar a liderança interna no PS, contra figuras como Ségolène Royal, ex-candidata presidencial e líder socialista de Poitou-Charentes, ou o proscrito Georges Frêche, que considerou a sua vitória em Languedoc-Roussillon como «uma desfeita para a direção do PS».

O diário Le Monde analisa a vitória socialista como uma «advertência severa» a Nicolas Sarkozy, que «ainda há nove meses, em Junho de 2009, se gabava de ter vencido as eleições europeias».

O Monde assinala que a direita «não obtinha um resultado tão pobre desde o início da V.ª República», no pós-guerra, e que, além de ganhar a Guiana, apenas parece com hipóteses de reclamar uma região na França Metropolitana (a Alsácia) na segunda volta.

O Le Figaro, jornal conotado com a direita francesa, salienta que nenhum dos 20 membros do Governo da UMP que foram cabeças de lista nestas regionais deverá vencer na segunda volta das eleições. Um deles, aliás, foi eliminado à primeira volta.

O diário escreve também sobre os bastidores da noite eleitoral no Eliseu, sede da presidência francesa, constatando o «estoicismo» de Nicolas Sarkozy que terá definido com as hostes da UMP uma estratégia tripla para a segunda volta : «Seduzir os abstencionistas, salientar o compromisso ecológico da maioria e explicar aos eleitores da Frente Nacional que votar FN é votar PS».

O L'Express questiona se «a estratégia da UMP está correta» e constata que «o resultado pobre da maioria priva Sarkozy da sua dinâmica».

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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