Arrábida candidata a Património Mundial
“Vamos valorizar muito as tradições, as festas religiosas, a presença humana e as diversas actividades, da pesca à agricultura, à pastorícia e ao trabalho com a pedra - não com a expressão que têm hoje as pedreiras, mas com a expressão dos antigos canteiros”, disse à Lusa Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra e membro da Comissão Executiva.
“A abrangência da candidatura é diferente e reduz o aspeto negativo que teria uma candidatura que fosse apenas a Património Natural”, acrescentou Augusto Pólvora, que falava à Lusa durante a primeira reunião da comissão Executiva da Candidatura da Arrábida a Património Mundial realizada em Setúbal.
De acordo com o autarca sesimbrense, na primeira reunião a Comissão Executiva iniciou também a discussão sobre os limites territoriais da candidatura, que “deverá abranger toda a área do Parque Natural da Arrábida, do Cabo Espichel a Setúbal, e algumas zonas envolventes”.
Augusto Pólvora adiantou que a comissão vai assinar em breve diversos protocolos com universidades, tendo em vista a preparação da documentação técnico-científica indispensável para fundamentar a candidatura junto da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
A ideia de se avançar com uma candidatura mista tinha já sido anunciada a 18 de setembro de 2009, quando foi assinado um protocolo de colaboração entre a Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) e o Instituto para a Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), que visava preparar o processo de candidatura a entregar à UNESCO.
A candidatura da Arrábida a Património Mundial, que já consta da lista indicativa da UNESCO desde 2004, resultou de uma proposta apresentada pelo então vereador social democrata da Câmara de Setúbal, Duarte Machado, em janeiro de 2001.
Na altura, o autarca social democrata afirmava-se convicto de que a classificação da Arrábida, e também do estuário do Sado, além de reforçar a proteção internacional das duas zonas protegidas e integradas na Rede Natura 2000, poderia também contribuir para a “relocalização” da cimenteira da Secil no Outão, para onde estava prevista a coincineração de resíduos industriais perigosos.
Quase uma década depois, a candidatura da Arrábida a Património Mundial ainda não foi entregue à UNESCO e a cimenteira da Secil continua na serra da Arrábida, agora já licenciada para proceder à coincineração de resíduos industriais perigosos.




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