EUA criticam governo de Israel, mas garantem segurança do país
A força das críticas não levou, porém, a qualquer suspensão da decisão de construir, com o primeiro ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a garantir hoje que as construções iriam continuar, incluindo nas terras árabes de Jerusalém anexadas em 1967.
Hoje mesmo, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que "Israel é, e continuará a ser, um aliado estratégico dos EUA".
Philip Crowley realçou que "o compromisso dos EUA com a segurança de Israel permanece inflexível", no que foi visto como uma alusão ao programa nuclear iraniano.
Estas declarações verificam-se depois de uma sucessão de críticas de altos dirigentes da Administração Obama dirigidas ao governo de Israel, em particular ao primeiro ministro.
Em causa está a decisão israelita de prosseguir a colonização de Jerusalém Leste, com o anúncio, de mais 1600 novas construções, feito em plena visita a Israel do vice-presidente norte-americano, Joe Biden.
Os norte-americanos acusaram mesmo Netanyahu de estar a "minar" os esforços dos EUA para salvar o processo de paz no Médio Oriente.
A reação da secretária de Estado, Hillary Clinton, foi a mais forte, quando escolheu divulgar a conversa telefónica que teve com Netanyahu na sexta feira.
Também a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou hoje, durante uma visita ao Cairo, que a decisão israelita "ameaça" a realização das conversações com os palestinianos.
A crise de confiança entre EUA e Israel é inédita, quando se consideram as últimas três décadas.
O embaixador de Israel nos EUA, Michael Oren, classifica a crise como "a mais grave desde há 35 anos", quando os EUA obrigaram Israel a uma retirada parcial do Sinai egípcio.
As declarações de hoje de Netanyahu, que garantiu a continuação das construções em Jerusalém Leste anexada, "como tem sido o caso desde há 42 anos", já motivou uma reação dos palestinianos, com o porta voz da presidência, Nabil Abu Rudeina, a dizer que "esta política não cria a atmosfera apropriada para a reinício do processo de paz".
Apesar de Netanyahu ter ordenado aos seus ministros para não falarem do assunto em público, um deles acusa hoje, sob anonimato, Obama de "procurar fazer cair o governo Netanyahu" e de explorar a crise para conseguir concessões israelitas no processo de paz.
O ex-embaixador de Israel nos EUA, Zalam Shaval, considerou haver um risco de "as críticas americanas de Israel, que supostamente deveriam permitir o relançamento do processo de paz, terem o efeito contrário, ao conduzirem os palestinianos a uma maior intransigência".
Entretanto, no terreno, o dia de hoje registou mais 10 jovens palestinianos feridos, dos quais dois por balas reais, em confrontos com tropas israelitas na Cisjordânia.



