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Justiça

Alegações finais no julgamento por homicídio de filho de Nelinho

16 | 03 | 2010   09.22H

O arguido Gonçalo Nuno Rodrigues Cardoso, que confessou em tribunal ser o autor dos disparos que causaram a morte do jovem em 2005, afirmou que agiu em desespero e para se defender de agressões de Nélio Marques.

Ao ser questionado pelo coletivo de juízes por que não se defendeu dos alegados murros e pontapés com os mesmos meios, respondeu: "Eu não sei lutar".

Os dois homens confrontaram-se num posto de abastecimento de combustível na Rua Conde de Almoster, em Benfica, em Lisboa, tendo o arguido declarado ao tribunal que não houve qualquer discussão, nem troca de palavras antes ou durante a agressão.

Segundo Gonçalo Cardoso, a vítima seguiu-o até às bombas de combustível, depois de lhe ter buzinado no trânsito e mostrado "um punho fechado".

O arguido não conseguiu explicar em pormenor como tudo se passou, justificando a arma que trazia com a actividade de venda de artigos de ourivesaria.

"Tentei defender-me e no meio da agressão trazia uma arma à cintura e ela caiu ao chão", disse.

"O sr. Nélio Marques continuou a agressão, continuava a pontapear-me. Tentei alcançar a arma e consegui", declarou, lamentando o ato e referindo não ser "uma pessoa violenta".

O arguido disse que tudo se passou "num dia chuvoso" e que se dirigiu à estação de serviço para "colocar água no reservatório dos vidros" e posteriormente abastecer de gasolina o seu veículo, negando que tenha parado para qualquer ajuste de contas.

"Comecei a ser agredido à porta do meu carro", disse o arguido, acrescentando que antes dos três tiros que atingiram a vítima apenas havia disparado a arma uma vez, em campo aberto, para a experimentar, tal como lhe havia aconselhado o armeiro que a vendeu.

"Lamento profundamente as consequências dos meus atos. É muito difícil viver com o peso de que tirámos a vida a outra pessoa e é isso que eu na realidade fiz", disse.

Gonçalo Cardoso é acusado de homicídio qualificado e, segundo a informação constante nos autos, não tem antecedentes criminais.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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