Chávez adverte Madrid caso haja ruptura de relações
"Essa direita (política) espanhola, essa imprensa da direita espanhola, está empenhada em estragar as relações (entre Caracas e Madrid). Nós não queremos estragá-las, mas (se tal acontecer) será a Espanha que mais perderá, com os seus investimentos na Venezuela, em gás e petróleo", disse Chávez aos jornalistas.
Por outro lado, sublinhou que "se o Governo de (José Luís Rodríguez) Zapatero cede às pressões e de alguma maneira nos desrespeita, isso prejudicará as relações bilaterais, como quando o rei (Juan Carlos) nos mandou calar".
O presidente da Venezuela destacou ainda que "não entende porque é que Zapatero defende Aznar".
Em 2007, Chávez ordenou que fossem revistos os investimentos espanhóis no país, depois de o rei Juan Carlos o mandar calar, durante uma cimeira ibero-americana, quando o presidente venezuelano criticava o antigo chefe do governo espanhol José Maria Aznar.
A comunidade espanhola é uma das mais importantes da Venezuela, país onde a petrolífera Repsol-YPF, a Telefónica e o Banco BBVA, entre outras empresas espanholas detêm importantes investimentos.
Segundo os últimos dados conhecidos em 2007 o intercâmbio comercial entre os dois países rondou os 2000 milhões de dólares.
As relações entre a Venezuela e a Espanha atravessam momentos de tensão desde que, a 1 de março último, o governo de Madrid pediu explicações ao executivo venezuelano sobre a alegada cooperação que terá mantido com a ETA e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
O pedido de explicações ocorreu depois de o juiz da Audiência Nacional Eloy Velasco ter acusado seis membros da organização separatista basca e sete membros das FARC de terem preparado o assassínio de personalidades colombianas em Espanha.
O presidente da Venezuela qualificou como "temerária e irresponsável" a acusação do juiz espanhol e sublinhou que o governo venezuelano "não apoia nenhum grupo terrorista".
Por outro lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Nicolas Maduro, criticou o juiz Eloy Velasco, que condenou 13 membros da organização separatista basca ETA e da guerrilha das FARC, acusados de terem preparado o assassínio de personalidades colombianas em Espanha, beneficiando de uma "cooperação governamental venezuelana".
Nicolas Maduro afirmou que o juiz estava "associado à mafia" do ex-primeiro ministro espanhol conservador José Maria Aznar, ao "pior" do Partido Popular, na oposição, e aos "setores da extrema direita".
Em 06 de março, os governos espanhol e venezuelano emitiram um comunicado em que manifestaram a vontade de continuar a luta contra a ETA e colaborar com a justiça espanhola para esclarecer uma eventual relação entre a organização basca e as FARC colombianas.




