«Celibato não serve como desculpa para a pedofilia»
Os especialistas comentavam à agência Lusa a teoria, veiculada nos últimos dias em alguns jornais, de que as regras do celibato são, de alguma forma, responsáveis pelos "comportamentos desviantes" dos padres abusadores sexuais, uma posição já negada pelo Vaticano.
Muito do furor foi impulsionado por comentários de um dos conselheiros mais próximos do Papa, o arcebispo de Viena e cardeal Christoph Schoenborn, que defendeu uma análise honesta de questões como o celibato e a educação sacerdotal para erradicar as origens do abuso sexual.
O celibato de um padre poderá levar a que tenham relações sexuais com adultos, uma vez que são homens e faz parte da sua biologia, mas não justifica a pedofilia, disse à Lusa o psicólogo Carlos Poiares.
"Mesmo que não fossem padres, seriam pedófilos", afirmou o especialista, reiterando que o celibato "não justifica minimamente" a pedofilia e não pode servir como "desculpa para nenhum caso". O psicólogo frisou ainda que "nenhuma profissão está isenta de ter pedófilos".
Também o sexólogo Júlio Machado Vaz considera que a relação celibato/pedofilia não pode ser feita: "Permitir aos padres o casamento não garantiria que deixassem de existir os abusos sexuais contra menores, como acontece fora da Igreja."
"Se isso fosse verdade, nenhum homem casado seria abusador e nós sabemos que isso não é verdade", disse à Lusa, lembrando ainda que "grande parte dos abusos se dá por familiares". "Em termos científicos não tem fundamento", sublinhou o especialista.
O Papa Bento XVI está determinado a tomar novas medidas contra os padres pedófilos, que poderão ser apresentadas na carta pastoral que está prestes a enviar ao episcopado irlandês, disse hoje, numa entrevista, o arcebispo Rino Fisichella.
Bento XVI não está, de forma alguma, paralisado ou fechado numa torre de marfim face à avalancha de casos de pedofilia que atinge a Igreja católica, afirmou Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida.
Os casos de pedofilia tornados públicos nas últimas semanas, em particular na Alemanha, Áustria, Holanda e Suíça, "lançam uma sombra sobre toda a Igreja [católica]: a tolerância zero, para nós, não é facultativa, é uma obrigação moral", sublinhou Fisichella.




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