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João Sebastião

«A violência e as agressões nas escolas continua a diminuir»

16 | 11 | 2007   11.33H

ISABEL STILWELL - editorial@destak.pt

O que é que faz o Observatório?
Recolhe e analisa as situações de segurança e violência na escola comunicados ao Ministério da Educação. Elabora estudos, comprova hipóteses e aconselha soluções.

A violência na escola está mesmo a crescer?
De maneira nenhuma, quando muito, estabilizou, se é que não desceu. Com toda a gente tão preocupada com o assunto, é natural que diminua de facto. Estamos é mais conscientes dela.

O número de alunos por escola faz aumentar os casos?
Quanto mais alunos e professores numa escola mais casos haverá, mas estatisticamente pode não significar um aumento. Sabe qual foi o pico de violência em termos estatísticos? O momento em que a Escola Segura foi alargada a nível nacional. Em vez de 150 ocorrências passámos a mil. Revelou apenas uma maior capacidade de registo.

Há mais situações de professores agredidos?
Pelo contrário, há muito menos. Não estou a desculpar nenhuma delas, mas as generalizações impedem actuações eficazes tanto na prevenção como na repressão.

Existe uma correlação entre escolas em bairros pobres e a violência no espaço escolar?
Há a «ideia feita» de que a escola ao lado do bairro social, ou a frequentada por filhos de imigrantes, tem mais casos de violência. Para ver se era assim fizemos um estudo na área Metropolitana de Lisboa sobre as 10 escolas com mais insucesso, as 10 escolas com mais alunos com programas de apoio social, as 10 escolas com mais violência e as 10 com mais diferenças étnicas.

Para concluir?
Que não há nenhuma correlação entre estas escolas aparentemente mais problemáticas e a violência. Só uma delas constava do ranking das dez mais violentas.

Se eliminou estas correlações, quais encontrou?
Concluímos que os factores são muitos, e díspares entre si. Pode ser indutor dois "grupos de bairro" rivais estarem na mesma escola. Como sabemos que surge em escolas sem autoridade, onde os alunos transgridem sem consequências. E depois há aquelas onde sempre houve muita violência entre os jovens, mas ninguém falava nela. Conhece o "Ir ao Pau", em que um miúdo é atirado de pernas abertas contra um poste? É bárbaro, mas não há queixas, porque faz parte da tradição de certas regiões.

A qualidade do Conselho Executivo marca a diferença?
Toda. Há escolas degradadas, onde se faz um trabalho sensacional. Quando os adultos estão motivados, interessados, presentes, conseguem fazer a diferença. Quem trabalha nas escolas tem que ser mais militante.

É verdade que as escolas privadas não abrem as portas a estes estudos?
Os nossos estudos só incluem escolas públicas, as privadas nunca querem participar. Só abrem as portas para os rankings das notas, isso sim. Mas toda a gente sabe que não são excepção, e também têm casos. É claro que lhes sobra a possibilidade de expulsar o aluno problemático. Mas isso não é resolver problemas.

10 comentários

  • e muito fiche andar a purrada com o cristiano ronaldo
    helena | 14.10.2009 | 15.41Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • tou a faxer um trabalho na escola e esta pagina ajudoume a melhorar a nota
    ki | 13.05.2008 | 15.34H
  • acho que este problema é muito grave........ eu acho
    marta | 13.05.2008 | 15.34H
  • Esqueci-me de mencionar um factor, esse sim, verdadeiro. As crianças de agora são menos educadas do que antigamente. Uma pessoa mais velha do que eles, não transmite, como antigamente, um sentimento de respeito. Mas, por paradoxal que pareça, nós, que criticamos estas posturas mal educadas, somos os pais destas crianças. Escusado será dizer que as crianças quando nascen, não vêm educadas. Nós é que as educamos. Portanto, somando 2 mais 2, temos o resultado (na esmagadora maioria dos casos): Elas são o reflexo da educacão que lhes transmitimos. No comentário anterior escrevi educandos, quando o quereria dizer era educadores. Mas se pensam que as nossas escolas são muito violentas, por favor, deveriam conhecer 2 exemplos que conheço pessoalmente: Estados Unidos e Brasil.
    Carlos Martins | 27.11.2007 | 14.51H
  • Trabalho numa escola inserida num bairro problemático onde há muita pobreza e analfabetismo. Nós cá chamamos "Zona 4", em virtude de ficar no alto do Funchal, já bem junto aos pinheiros. Há droga, desemprego, pobreza, analfabetismo, etc. etc.(Escola do Galeão). Só muito raramente acontece "cenas" de pugilato entre alunos, e só uma vez (em 14 anos) houve uma agressão a um professor. Tenho conhecimento do que se passa noutras escolas também. É falso que a violência nas escolas seja generalizada. Só que agora se em 5 mil escolas, há uma agressão numa, essa agressão passará nas tvs de hora à hora, levando a que as pessoas fiquem com a sensação da tal "cena" ter acontecido em várias escolas, durante vários dias. recordo de que quando era aluno, não havia semana onde não houvesse batataria. Os alunos eram agredidos pelos professores, pelos alunos mais velhos, pelos reitores, pelos padres, etc., etc.. E agora é que há vilência nas escolas? Esta, faz-me lembrar a violência doméstica de agora. Antigamente não havia. Havia respeito! Os maridos não arreavam nas mulheres, nas amantes e nos filhos. Nos colégios de raparigas ou de rapazes só se rezava. As irmãs e os srs. padres não batiam nas crianças. Belos tempos! Eu por acaso andei num colégio salesiano e um dia fui bater ao hospital com a cabeça a sangrar, porque um sr. padre sub-director que me enfiou a campainha com que sempre andava, no alto da cabeça. Claro que os educandos que faziam isto era sempre com amor e carinho. Mas enfim, se as pessoas querem enganar-se umas às outras, façam o favor. Mas... ponham um pouco as mãos nas consciências. Será que a violências nas escolas hoje em dia é assim tanta?
    Carlos Martins | 27.11.2007 | 13.48H
  • Aqui temos 1 verdadeiro cromo d Portugal,no seu pior,estilo carneirada,digo o que é politicamente correcto,para os meus patrões...depois lá se vê o nosso enorme atraso em relação ao resto da Europa...pois...Mas não o é em relação aos indices de criminalidade,aí temos os piores resultados.40 por cento dos portugueses já foram assaltados e agredidos,e soma e segue,pelos vistos a procissão ainda vai no adro.Quem nos defende?
    Socorro!Venha Alguém para nos tirar deste filme de terror!
    sebastião f.-vila real | 26.11.2007 | 14.53H
  • Penso que a violência nas escolas tem a sua expressão maior fora das salas de aula e verifica-se entre alunos.
    Qualquer pessoa atenta, percebe que os agredidos evitam queixar-se com receio de ainda apanharem mais pois não vislumbram quem os possa proteger de um modo sustentado.
    Como neste momento o que está na moda é falar da violência doméstica, penso que os miúdos vão ter de aguardar que a situação se agrave mais um pouco a fim de poderem justificar uma campanha mediática.
    Sou de opinião que devemos saudar a frontalidade do senhor Procurador Geral da República que, ao que parece, pretende enfrentar o problema.
    Fernando | 25.11.2007 | 23.08H
  • As avenças funcionam muito bem no Ministério da Educação!?
    MAE | 23.11.2007 | 18.49H
  • A verdade conveniente....
    Que dizer do abaixo reproduzido.



    Pinto Monteiro acusa ministra da Educação de minimizar violência nas escolas (ACT.)
    21 | 11 | 2007 19.56H
    O Procurador-Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, acusa a ministra da Educação de minimizar a dimensão da violência nas escolas, numa entrevista à revista Visão que será publicada amanhã.

    Na entrevista, o responsável afirma ter seleccionado a violência escolar como uma das suas prioridades, no âmbito da nova Lei de Política Criminal.

    «Sei que há várias pessoas, até a senhora ministra da Educação, que minimizam a dimensão da violência nas escolas, mas ela existe», refere Pinto Monteiro.
    NMS | 21.11.2007 | 22.12H
  • Entrevista lamentável! Encomendada?!!
    Este senhor é professor em que escola básica ou secundária? Ou é apenas do que as visitam e "arrotam postas de pescada" sobre as escolas como fazia no início Daniel Sampaio (só mudou quando começou a ir aos locais!!) e até a Isabel Stilwell com o Eduardo Sá que muito mau serviço prestam aos pais com mitos e ideias erradas, porque se baseiam nos seus próprios filhos f e não são capazes de entender (porque nunca experimentaram!) o que é trabalhar um grupo de crianças/jovens durante 45 minutos e mantê-los atentos, quando ELES NÂO QUEREM. Muito gostava que se pudesse filmar, sem censura e punição ,o que REALMENTE se passa nas escolas (nos recreios, corredores e nas salas de aula) para que os pais vissem "a bela educação que dão aos filhos"!!! Então, sim vamos ao prós e contras. A violência e abuso dão-se mais fora da sala de aula e entre alunos que não têm a quem pedir ajuda nem quem os proteja. Resultados de Investigadores de net e questionário, não valem nada!! E os media, tratam de enviesar para os profes... SEMPRE. Que lástima!
    Maria Silva | 16.11.2007 | 13.10H
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