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Educação

Sindicatos dizem que Governo quer acabar com concursos de colocação de professores

16 | 03 | 2010   21.32H

Na Comissão de Educação e Ciência que hoje decorreu na Assembleia da República, os secretários gerais da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), Mário Nogueira e João Dias da Silva, respectivamente, afirmaram que o projeto final de decreto lei traz modificações "que não foram estabelecidas no acordo de princípios" celebrado em janeiro para a revisão da carreira docente e que isso "pode voltar a levar os professores à rua".

Segundo Mário Nogueira, "o documento é inacreditável porque é completamente diferente do que decorreu da negociação: acaba com concursos e tudo o que são formas de mobilidade é suprimido, apenas fica a mobilidade interna e a cedência por interesse público".

Também João Dias da Silva explicou que as questões de mobilidade "deixam de ser competência do Ministério da Educação e passam a ser competência do Ministério das Finanças".

"A surpresa é que há no texto alterações que colocam todo o processo de recrutamento de professores, de concursos, de mobilidade de professores em lógicas que não pertencem ao Ministério da Educação, já que deixam de pertencer aos regimes anteriores e que os colocam nas lógicas da administração pública e das finanças", explicou o dirigente da FNE.

Em questão está a aplicação da Lei das Carreiras, dos Vínculos e das Remunerações da Administração Pública aos professores.

"Se este caminho for adotado, isto corresponde ao fim da carreira especial dos professores", considerou João Dias da Silva.

Também o dirigente da FENPROF disse que "se este diploma tiver pernas para andar os professores também têm pernas para voltar a descer a Avenida da Liberdade", já que "quando os docentes souberem disto [a tutela pediu confidencialidade] vão ficar com a mesma indignação que os fez manifestarem-se".

No entanto, o documento contempla as alterações que estavam previstas no acordo de princípios de 08 de janeiro quanto às modificações acordadas para a estrutura da carreira docente, a avaliação de desempenho e a transição entre modelos.

O documento foi enviado pelo Ministério da Educação por e-mail na noite de segunda feira, com quinze dias de atraso, já que tinha ficado acordado ter sido entregue a 01 de março.

Perante este atraso, as estruturas sindicais perderam os cinco dias que tinham para requerer uma "negociação suplementar", dado que já foi dada como encerrada a fase negocial, explicaram os dirigentes sindicais.

Os representantes dos professores esperam agora que os deputados da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência "rapidamente intervenham junto do ministério e ponham as coisas no sítio para que na quinta feira [em Conselho de Ministros] o Governo não aprove um decreto-lei deste tipo".

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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