música

Pedro Abrunhosa reinventa-se em "Longe" que sairá a 12 de Abril

26 | 03 | 2010   16.57H

"Longe" é constituído por doze temas refletindo um som mais rock com acentuada presença das guitarras e uma decisão clara de "passear" por outras sonoridades, como acontece em "Ai, Ai, caramba! já fui...".

O cantor e compositor afirma-se "finalmente feliz" por ter conseguido o som que queria, "sem espartilhos de produtores".

Pedro Abrunhosa é coprodutor do álbum, tal como o fora nos anteriores "Viagens", "Tempo" ou "Silêncio", mas neste sente-se "verticalmente mais dentro e um produtor a sério", tarefa que partilha com João Bessa.

"Ele foi impecável e o som deste disco deve muito a ele. O Bessa é a outra face da mesma moeda, assumindo eu o lado mais artístico", disse.

"Sinto-me bem e feliz, não estou castrado por um produtor. Detestava quando um produtor me dizia: 'isto não é Pedro Abrunhosa'. Quem é alguém para me dizer que não é Pedro Abrunhosa?", desafiou o músico que sublinhou: "o meu sonho e minha persistência é que me fizeram chegar aqui".

O músico decidiu pôr um ponto final a tudo e criar uma nova equipa e estrutura de apoio, além de ter gravado no seu próprio estúdio, adquirido há dois anos.

"Deixei toda a equipa e mudei tudo. Tinha de ser. Se ao final de 20 anos fica tudo como sempre, algo está mal", sublinhou.

"Ficar parado é extremamente perigoso. Corremos o risco de nos tornarmos institucionais e enquanto instituição há sempre o peso do chumbo, do sarro. Reinventar é essencial à ciência, à política e à arte".

"Por muito que custe às pessoas e a quem está à nossa volta e que gosta do que fizemos até aqui, esse é um caminho que está feito, e há alturas em que é preciso inverter, reverter e tomar outro caminho".

Os Bandemónio que o acompanhavam "cometeram um auto-assassinato" e ajudaram na sondagem no meio musical para escolher novos elementos que deram origem ao Comité Caviar, a nova banda que o acompanha.

"Foneticamente é um nome interessante, e por outro lado é uma dicotomia bicéfala. Por um lado, o Comité sugere a ideia de todos reunidos a pensar como fazer chegar a bomba ao czar lá instalado a comer Caviar", disse entre risos e por detrás dos omnipresentes óculos escuros.

O Comité Caviar é constituído por Cláudio Souto no órgão e teclados e que já o acompanha há 15 anos, Marco Nunes e Paulo Praça nas guitarras, Miguel Barros no baixo, Pedro Martins na bateria e percussão e Patrícia Antunes e Patrícia Silveira nos coros.

Abrunhosa referiu que o CD "é por um lado o regresso às origens" e por outro corresponde ao que "há muito tempo queria fazer".

O título do álbum, "Longe" tem um duplo significado, explicou o criador: "longe de mim próprio ou talvez agora mais próximo de mim".

Dos primeiros discos a este em que se reinventa há seguramente um traço comum: "A voz que é minha e é extremamente narrativa, no sentido de contador de histórias e a outra voz, interior, que é a minha escrita".

"O resto - prosseguiu - é roupagem musical, está lá esta banda à Tom Petty, como podia lá estar uma orquestra a la Wagner".

Tom Petty é uma das referências do músico nortenho tal como Bob Dylan, Leonard Cohen ou Tom Waits.

"Eu fiz uma caminho da [música] clássica ao jazz e a partir deste conheci a grande música negra, o gospel, o R&B e o funk e depois a canção, a europeia com nomes como Georges Brassens, Leo Ferré, Serge Regianni, Patxi Andion ou Juan Manuel Serrat e os portugueses José Afonso, Sérgio Godinho, e Fausto, e os americanos", afirmou.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: DR
Pedro Abrunhosa reinventa-se em "Longe" que sairá a 12 de Abril | © DR

1 comentário

  • Quem é o aviador?
    bfff | 26.03.2010 | 17.39H
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