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Guiné Equatorial prepara-se para ser o nono membro do bloco lusófono

31 | 03 | 2010   08.46H

[Carla Mendes da Agência Lusa]

"Estamos com as mãos abertas. Se assim for, então ficamos mesmo felizes. Estamos mesmo a precisar de ter acolhimento", disse à Lusa Benvindo Ebany Otogo, um dos representantes da Guiné Equatorial no evento sobre língua portuguesa que está a decorrer em Brasília desde a semana passada.

Questionado se o regime ditatorial do presidente Obiang Nguema, no poder há 30 anos, pode prejudicar a entrada da Guiné Equatorial como membro permanente na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Otogo rebateu: "A Guiné Equatorial, sendo um país democrático, pode também assimilar de outros países. Não temos nenhuma coisa especial para não nos tornarmos membro pleno da CPLP. E isto é para já."

Otogo lembrou as raízes histórias do descobrimento da ilha Malabo pelos portugueses e destacou que o interesse na aproximação com os países de língua portuguesa não implica qualquer distanciamento com a Espanha, país com o qual a Guiné Equatorial tem laços históricos e do qual herdou a sua língua oficial.

O representante do país da África Ocidental salientou ainda que a Guiné Equatorial já conta com um Departamento Especial dos Assuntos Lusófonos, integrado no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Admitiu, contudo, que, dos 600 mil habitantes do país, o terceiro maior produtor de petróleo do Golfo da Guiné, apenas uma parcela muito pequena da população fala português.

"Os mais velhos falam português. É como em Timor-Leste. Mas, através do tempo, as pessoas vão integrar-se e vão falar português como mais propriedade", afirmou.

A CPLP é integrada por oito países que têm o português como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Segundo Otogo, a integração plena na CPLP, da qual a Guiné Equatorial já é membro observador, pode contribuir para o desenvolvimento do país.

Apesar do "boom" petroleiro vivido pela Guiné Equatorial, há um abismo entre ricos e pobres no país.

Menos de cinco por cento da população detém mais de 90 por cento da riqueza nacional, enquanto mais de 80 por cento dos habitantes vivem sem eletricidade e sem água potável.

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