«Pela primeira vez Europa escreve-se com E de educação»
“Pela primeira vez, o esforço de tantas presidências de tantos países permitiu colocar a educação no centro das estratégias. Situou os objetivos educativos como objetivos para a Europa”, afirmou hoje o ministro espanhol Ángel Gabilondo.
“Investir em educação é caro mas não investir é caríssimo”, sublinhou.
Gabilondo falava aos jornalistas no final da reunião informal dos ministros da Educação da União Europeia que hoje terminou em Madrid.
“Todos os objetivos, de desenvolvimento sustentável, inovação, emprego, inserção e coesão social, todos eles estão marcados pela melhoria dos resultados educativos. Pela primeira vez, Europa escreve-se com o ‘E’ de educação”, afirmou.
Os ministros analisaram os esforços para reduzir o abandono escolar - de 18 para 10 por cento - e aumentar o número de alunos em formação superior ou profissional - para 40 por cento dos jovens com idades entre os 18 e os 24 anos.
Androulla Vassiliou, comissária europeia da Educação, explicou que as metas serão definidas por cada país, “de acordo com a sua situação atual”, e que a Comissão Europeia ajudará os governos a atingir os objetivos.
“Não se trata nem de obrigar, nem de restringir os estados no que toca a estas metas. O objetivo é que estes valores sejam a média europeia”, frisou.
Gabilondo explicou que se trata de comprometer os Estados a “conseguir objetivos concretos e realistas que respeitem a singularidade de cada país, mas propondo uma visão comum”, que reconhece serem metas “necessárias e indispensáveis, especialmente num momento de dificuldades económicas”.
Questionados pela Lusa sobre como responder a outros problemas que contribuem para o abandono escolar, Gabilondo disse serem necessárias estratégias integradas e Vassiliou que já se estão a preparar análises entre outros comissários.
“Muitas das causas do abandono escolar são claramente causas sociais, como as condições de trabalho do ambiente do aluno, a sedução do mercado de trabalho e as condições de formação dos contextos familiares e sociais”, disse.
Os dois responsáveis reiteraram ser vital continuar a apostar na formação: "A melhor forma de combater o desemprego, do ponto de vista educativo, é ter mais formação”, disse Gabilondo.
“Todos os dados europeus assinalam que quanto maior é a formação menor é o desemprego”, acrescentou.
Os ministros analisaram ainda questões como o papel da educação e da formação na saída da crise e o reforço dos programas de mobilidade.
Gabilondo e Vassiliou insistiram que se trata de reforçar os programas já em curso, ampliando o conceito da mobilidade além dos universitários para dimensões como mobilidade social, de voluntários ou de trabalhadores.



