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Literatura

"LeV - Literatura em Viagem" debateu "O Sonho de África" sem os principais convidados

18 | 04 | 2010   21.22H

Tal como no primeiro dia, sábado, também hoje o festival literário registou várias ausências motivadas pelo impacto da nuvem de cinza de origem vulcânica no espaço aéreo europeu, com especial destaque para a de Tim Butcher, premiado jornalista britânico, finalista em 2006 do prémio “Jornalista do Ano”, atribuído pela Associação da Imprensa Estrangeira, pela cobertura que fez da guerra do Líbano.

Com a mesa “O Sonho de África” desfalcada praticamente na sua totalidade - além de Butcher, também o romancista marroquino Mohammed Berrada e o escritor espanhol Javier Reverte estiveram ausentes -, o debate principal centrou-se na existência de “vários sonhos de África” e de “várias Áfricas muito distintas”, ideia defendida pelo escritor e cronista Jacinto Rego de Almeida.

“A África negra representa a nostalgia do que não fomos, mas simbolicamente estivemos quase a ser”, acrescentou, referindo-se ao antigo império colonial português.

Também Marcelo Correia Ribeiro, dono de uma vasta biblioteca sobre o continente africano, admitiu que o “sonho de África começou com o império” e, por isso, é “um sonho construído”, alertando para o facto de que, já que os portugueses não conseguiram fazer o sonho africano em África, é necessário contribuir para que os africanos que vivem em território português “façam o sonho africano em Portugal”.

O antropólogo e investigador Carlos Almeida, por sua vez, defendeu que “O Sonho de África” é “um tópico europeu” e que, para se conhecer o verdadeiro sonho africano, é necessário deixar de lado a ponto de vista da Europa e “deixar que as vozes africanas falem sobre África”, referindo ainda que “O sonho de África é o sonho de quem escreve”.

Na mesa redonda dedicada ao tema “Percebo-me viajando”, os arquitectos Alexandre Alves da Costa e Júlio Moreira e o escritor Guillermo Martinez, um dos poucos autores estrangeiros a conseguir voar até Portugal, coincidiram na ideia de que as viagens fazem parte da construção pessoal e de que são imprescindíveis para a preservação da memória.

“Escrever é extremamente importante para a memória”, defendeu Júlio Moreira, que a apontou “a inter-relação entre dois conceitos independentes: introspeção e viagem” como inevitável, pois “a introspecção é uma viagem no interior de si próprio”.

O ciclo de conferências do LeV prossegue segunda-feira com debates sobre os temas “Viajar prolonga a vida” e “Palavra a palavra viajamos”.

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