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«Recuso-me a acreditar que a vida não é um privilégio e um dom»

17 | 05 | 2007   08.56H
Este título cativa o público a comprar?
Este título cativou-me muito. É desconcertante e ao mesmo tempo kitsch. Alguém está a dizer a alguém que é o único grande amor, mas entretanto casou-se com outra. Resume um bocado a ambiguidade destes desacertos de relações amorosas ou das revistas light, que no fundo é o universo deste romance.

Ironiza sobre os livros light, mas constrói a obra dentro desses padrões...
Podemos ironizar e brincar com o mundo que nos rodeia. A vida é de tal forma avassaladora, trágica e grandiosa ao mesmo tempo, que de vez em quando temos de nos rir. É saudável. Recuso-me acreditar que a vida não é um privilégio e um dom.

É um livro divertido, mas com níveis de leitura?
É uma linguagem simples, mas com outros níveis de leitura. É um livro irónico, mas não é cruel. Não estou aqui para castigar os costumes, mas tem a mensagem de que devemos ver certas coisas com um olhar mais aberto, e não tomar certas fantasias como realidades.

É possível alguém não se identificar?
O livro tem muita inspiração no universo cor-de-rosa, mas é obvio que há cruzamentos de muitas histórias. Há pessoas que eu poderia ter conhecido com outras roupagens, que não me são completamente alheias, assim como este mundo não me é completamente alheio. Vivo aqui e agora, sou jornalista, tenho um leque de conhecimentos muito alargado e oiço muitas histórias, mas é evidentemente uma ficção.

Com tantas personagens, não deve ter sido fácil pesquisar tantos mundos...
Este foi um parto facílimo, porque eu chegava a casa vinda de trabalhos académicos e este era aquele ponto em que nem precisava de pensar. Saíam-me, jorravam-me, eu tinha de ir atrás deles! Começaram de facto a ser muitos e lembro-me de precisar de acabar o romance - que começou por ser um folhetim na internet - porque precisava de saber quem é que ficava com quem! Estes personagens divertiram-me e ri-me muito quando o escrevi.

O que é mais ridículo na nossa sociedade?
Acho que estamos a dormir de olhos abertos. Não devíamos ligar tanto a coisas que se tornaram tão fundamentais e são apenas iscos de consumo. Não devíamos confundir a essência com a aparência. Devemos usar coisas sem sermos usadas por elas. Se quando chegamos a uma certa idade, a única coisa que podemos projectar ter é uma cara laroca, alguma coisa correu mal na nossa vida. Æ

Filipa Estrela | festrela@destak.pt
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