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Música

Entrevista exclusiva aos Scorpions no seu regresso a Portugal

03 | 12 | 2007   15.54H

Depois da enchente registada ao vivo no Restelo, em 2001, regressão para dois megaespectáculos em 2007. Quem diria que as origens andam pelos anos 60...
Sim, pelos finais de 60. Éramos um grupo de amigos, todos músicos, com um sonho comum: formar uma banda que pudesse comunicar a sua visão global do mundo e fosse conhecida internacionalmente.

Cantar em inglês revelou-se imprescindível a essa meta?
Precisamente. Porque no nosso caso existia toda uma visão conceptual. O sonho não se resumia à sonoridade. Era fundamental que a mensagem passasse. Mas nos primeiros tempos o nosso foco era encontrar a química e músicos certos para a banda. Michael Schenker, que foi pioneiro como eu, saiu para a banda britânica UFO. Tivemos que o substituir e foi como começar de novo.

A entrada do guitarrista Uli Jon Roth deu à banda a estabilização necessária para investir na composição.
Foi crucial para começarmos a tactear o nosso estilo. Eu e o Rudolf (guitar- rista) passámos a ser também uma dupla na escrita.

Terem crescido na sombra do Muro de Berlim agudizou essa necessidade de expressão?
Sem dúvida. Costumávamos jurar que se os nossos pais tinham invadido o mundo com tanques nazis, nós haveríamos de o conquistar apenas com o som das nossas guitarras.

Em 1988, quando actuaram na Rússia, recordaram-se dessa jura antiga?
Tanto que a confessámos ao público. Foi muito emocionante: alemães e russos a encontrarem-se de uma forma bem diferente do que na II Guerra Mundial!...

Em 1978, surge o convite para um megaconcerto no Japão. Foi o sonho de internacionalização a tornar-se realidade?
Curiosamente é quando o Roth sai para integrar o projecto Electric Sun e o Matthias Jabs se junta a nós. É engraçado ver que os primeiros 10 anos da banda foram de grandes reviravoltas. Sempre que penso nisso, acho que os Scorpions tinham realmente um ideal de grupo muito consistente para sobreviverem a tantos "acidentes" e continuarem sempre unidos. Não vou falar mais do nosso percurso, porque é um drama que ia durar horas a narrar.

Se tivesse que resumir, que linha diria se manteve inabalável ao longo de todos estes anos?
A visão global da banda. É espantoso que ainda estejamos a tocar juntos, a correr mundo e sejamos amigos, tantos anos depois.

Entretanto, o mundo mudou e o público também...
Sim, mas... We Still Lovin' You (continuamos a amar-vos).

... o propósito e conceito que vos juntou necessitou de ser reajustado?
Não perdemos o núcleo da nossa mensagem, muito menos o prazer daquilo que fazemos. Mas, este ano, quando gravámos Humanity: Hour I, em Los Angeles tivemos essa evolução muito presente. Como artistas não nos perdemos do ideal da criatividade. Não é só sair pelos palcos e "rocking like an hurricane".

Daí a insistência da banda em aliar o rock ao discurso pela paz?
Temos noção que a música é um poderoso veículo de comunicação. Permite "conectar" as partes mais distantes do mundo. Queremos que sirva para enviar vibrações positivas que, escutadas internacionalmente, possam ter um alcance global positivo. Os nossos fãs sabem que não abdicamos de ser politicamente interventivos. A mensagem é curta e simples: "façam amor e não guerra".

Foram a 1.ª banda a tocar na Rússia depois do fim da URSS. Estiveram com Roger Waters no show The Wall, após a queda do Muro de Berlim. O rock só faz sentido se for "um vento" que desencadeia "mudanças"?
Claro! De outro modo, esquece um poder brutal que lhe assiste, além da diversão e do prazer da sonoridade. Os fãs levam-nos a sério, não apenas na paixão pelo som que o rock tem, como pelo significado das palavras. É por isso que a canção Wind of Change se tornou um hino representativo da Queda do Muro. Da mesma forma que os nossos fãs na Rússia tomaram como exemplo para uma reflexão sobre o fim do comunismo.

Humanity: Hour I chega a Portugal com esse alcance?
Os músicos erguem a voz onde a dos políticos se cala. Alcançamos as pessoas emocionalmente. A música não chega para transformar o mundo, mas há milhões de fãs à espera de uma mensagem de esperança.

Margarida Caetano | mcaetano@destak.pt
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