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Papa/Portugal

Bento XVI defende «liberdade de culto» perante o «mar de luz» no Santuário de Fátima

12 | 05 | 2010   22.00H

“No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo”, afirmou Bento XVI, na meditação durante o rosário que marcou o início da procissão das velas, no Santuário de Fátima.

Na oração do rosário que antecede a missa no recinto do santuário, Bento XVI deu o exemplo da busca de uma Terra Prometida pelos judeus quando fugiram do Egipto, recordando que “o que aparece primeiro é sobretudo o direito à liberdade de adoração, à liberdade de um culto próprio”.

Nessa busca feita pelos judeus, “não se trata simplesmente da posse dum pedaço de terreno ou dum território nacional que cada povo tem o direito de ter” mas essa mesma “terra é dada para que haja um lugar da obediência, para que exista um espaço aberto a Deus”, afirmou Bento XVI.

O papa disse ainda que a prioridade das prioridades é tornar Deus presente no mundo, pedindo a Nossa Senhora de Fátima para interceder pela paz e concórdia dos povos.

Aos milhares de peregrinos que iluminavam com velas o santuário, o papa pediu-lhes que não tenham “medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da fé”.

Elogiando o “mar de luz” que cobria o recinto, Bento XVI mostrou-se apreensivo com “os problemas do mundo” e “as preocupações e as esperanças” do tempo actual, colocando aos “aos pés de Nossa Senhora de Fátima” essas “dores da humanidade ferida”.

“Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe querida, intercedei por nós” para que “todas as famílias dos povos, quer as que se distinguem pelo nome cristão quer as que ainda ignoram o seu salvador, vivam em paz e concórdia”, exortou Bento XVI.

Esta foi a terceira alocução do papa em Fátima, onde chegou na tarde de hoje de Lisboa, cidade onde começou a viagem apostólica a Portugal, que termina no Porto sexta feira.

Antes da recitação do terço, o bispo da Diocese de Leiria-Fátima ofereceu ao pontífice o primeiro exemplar do rosário oficial do Santuário de Fátima, manufaturado em ouro, justificando a oferta porque se trata do “mais expressivo atributo do peregrino de Nossa Senhora de Fátima”.

Segundo o santuário, trata-se de um “metal nobre que não se altera e cuja cor evoca o sol, símbolo que a Igreja associa a Jesus”, sendo que a sua figuração “integra a peça inspira-se no património artístico de Fátima”.

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Bento XVI evoca João Paulo II na sua primeira intervenção em Fátima

Bento XVI evocou hoje, na Capelinha das Aparições, em Fátima, o papa João Paulo II, que visitou o lugar três vezes e ali "agradeceu a 'mão invisível' que o libertou da morte" no atentado de 1981, em Roma.

O papa referiu, também, na sua primeira intervenção em Fátima, a oferta que João Paulo II fez ao santuário da bala "que o feriu gravemente" e foi encastoada na coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima.

"É profundamente consolador saber que estais coroada, não só com a prata e o oiro das nossas alegrias e esperanças, mas também com a bala das nossas preocupações e sofrimentos", disse Bento XVI dirigindo-se à imagem de Nossa Senhora de Fátima.

À chegada à Capelinha, e perante milhares de peregrinos, o pontífice agradeceu "as orações e os sacrifícios que os pastorinhos de Fátima faziam pelo papa, levados pelos sentimentos que lhes infundistes nas aparições".

"Agradeço também todos aqueles que, em cada dia, rezam pelo sucessor de Pedro e pelas sua intenções, para que o papa seja forte na fé, audaz na esperança e zeloso no amor", disse Bento XVI.

De seguida, procedeu à entrega da Rosa de Oiro ao Santuário, justificando o gesto "como homenagem de gratidão do papa pelas maravilhas que o Omnipotente tem realizado" por intercessão de Nossa Senhora de Fátima, "no coração de tantos que peregrinam" à Cova da Iria.

"Estou certo de que os pastorinhos de Fátima, os beatos Francisco e Jacinta e a serva de Deus Lúcia de Jesus nos acompanham nesta hora de prece e de júbilo", disse Bento XVI, que afirmou estar no santuário "como um filho que vem visitar sua mãe e o faz na companhia de uma multidão de irmãos e irmãs".

Na saudação que fez à chegada à Capelinha das Aparições, o papa, "como sucessor de Pedro a quem foi confiada a missão de presidir ao serviço da caridade na Igreja de Cristo e de confirmar a todos na fé", quis apresentar a Nossa Senhora de Fátima "os problemas e as dores de cada um" dos que se encontram na Cova da Iria.

Após esta saudação, o papa dirigiu-se para a Igreja da Santíssima Trindade, onde, com sacerdotes, seminaristas e religiosos, rezou as Vésperas.

Bento XVI chegou hoje a Fátima, vindo de Lisboa, no segundo dia da sua visita a Portugal, que terminará na sexta feira no Porto. Milhares de pessoas receberam o Santo Padre no percurso entre o aeroporto e o Santuário.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: Inácio Rosa/Lusa
Bento XVI defende «liberdade de culto» perante o «mar de luz» no Santuário de Fátima | © Inácio Rosa/Lusa

1 comentário

  • Não havia necessidade, porque já fomos bem "benzidos" pelos nossos democratas . . . !
    alexandre barreira | 13.05.2010 | 07.15Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
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