Crianças desaparecidas

PJ recebeu quase 200 participações em 2009 mas os casos têm sido resolvidos a 100%

25 | 05 | 2010   09.42H

Há dois casos pendentes em Setúbal e sete na região Norte, mas de acordo com a Diretoria do Porto os sete casos inscritos ainda no sistema informático reportam-se a situações de litígio sobre o poder paternal, não se tratando de "desaparecimento formal", disse à agência Lusa o diretor da Unidade de Informação de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (PJ), Ramos Caniço.

Os dados referem-se a crianças até aos 12 anos. "Lisboa é a região que tem mais desaparecimentos (mais de um terço), mas recuperou 100 por cento e é isso que tem vindo a verificar-se em todos os departamentos do país", assegurou.

Além da PJ, também a PSP e a GNR recebem e investigam queixas de desaparecimentos, logo os números poderão ser mais elevados, admitiu.

Apesar de serem frequentemente somados, os desaparecimentos não podem ser confundidos com sequestros ou raptos, advertiu: "O desaparecimento não é um crime. É a quebra da rotina normal de uma determinada pessoa, ou por vontade própria ou por acidente".

Logo, a estatística deve ser separada, tal como o é a investigação. "Quando as pessoas desaparecem fruto da atuação de terceiros que consiste na prática de um crime, como o tráfico de pessoas, o rapto ou sequestro ou até mesmo homicídio, aí não temos um desaparecido, temos a vítima de um crime", explicou.

As situações são diferentes mas indetetáveis nas redes sociais. No caso de um desaparecimento "quanto mais olhos estiverem à procura melhor", mas tratando-se de rapto ou sequestro o simples gesto de reencaminhar e-mails e fotografias pode pôr em risco a vítima.

"É sempre perigoso juntar desaparecidos com pessoas vítimas de crimes e a publicitação desses casos nas redes sociais e na própria comunicação social deve gerir-se por motivações diferentes", declarou.

Ramos Caniço defende que não deve ser coartado o direito à informação, mas que este não pode exercer-se sem ter em conta a "preservação dos direitos fundamentais da vítima", nomeadamente "o direito à vida".

Em caso de crime, a divulgação de demasiada informação pode colocar a vítima em "sérios riscos", incluindo o risco de vida. "O sequestrador pode passar para um patamar superior de violência", alertou.

"Posso deixar de ter um sequestro e passar a ter um homicídio", advertiu, acrescentando que quem reencaminha as mais variadas mensagens com crianças alegadamente desaparecidas "não tem a mínima ideia" se está perante um desaparecimento, um crime ou uma brincadeira de mau gosto.

"Tenho dois casos em que centenas de mails foram transmitidos através da Internet em Portugal com fotografias de uma criança que nem sequer eles (autores do e-mail) sabiam quem era", contou.

"Isto é o perigo que pode encerrar a Internet se acreditarmos em tudo o que lá vem. Depois de se transmitir a primeira vez, gera-se o efeito bola de neve e as pessoas retransmitem e retransmitem sem averiguar se é verdade ou mentira", concluiu.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: 123RF
PJ recebeu quase 200 participações em 2009 mas os casos têm sido resolvidos a 100% | © 123RF
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