música

Expensive Soul regressam com "Utopia"

25 | 05 | 2010   10.11H

“O nome diz tudo: Expensive Soul, Alma Cara. É a exigência que temos connosco e com a música que fazemos”, afirmou à agência Lusa New Max, um dos dois elementos da banda (o outro é Demo) que colocou Leça da Palmeira na “cena” da música nacional.

A exigência levou-os, segundo New Max, a arriscar mais, algo que é palpável no álbum “Utopia”, lançado a 17 de maio, e que marca o regresso dos Expensive Soul aos discos, depois de quatro anos de ausência.

“É um disco que é naturalmente mais maduro, porque crescemos nestes últimos 11 anos”, acrescenta.

“Trouxemos uma sonoridade nova para os Expensive Soul, que é esta mistura dos anos 60, 70, com os beats de 2010. O “Utopia” não é um disco tanto de canções, como eram os outros. Temos músicas mais alternativas, temos outras escondidas”, sustentou o músico.

O revival dos anos 60 foi, de acordo com a banda, mais uma necessidade, do que uma opção: “Ouvimos muito vinil, muitas coisas antigas, até porque na área da soul já esgotámos quase tudo. Tivemos de ir rebuscar, perceber como é que eles gravavam nessa altura, com que material se podia conseguir essa sonoridade”.

A oportunidade de arriscar e de criar um disco, que segundo o duo representa a sua utopia pessoal, deve-se para Demo à sua realidade de editores independentes, algo que lhes permitiu fazer o que queriam, sem estarem dependentes de timings e escolhas de outros.

“Nós tínhamos o disco pronto e não tínhamos nome, então começámos a perceber que utopia é o nome ideal por três motivos: pelo cuidado com a capa, que foi inspirada nas formas impossíveis do Escher, pela influência do nosso mundinho, e pelo estilo que nos leva ao mesmo tempo para a atualidade e para o passado”, revelou New Max.

O timing escolhido para a apresentação do terceiro álbum de originais dos Expensive Soul coincide com o boom de edição de discos entre os nomes mais conhecidos da área metropolitana do Porto, caso de Pedro Abrunhosa, Blind Zero ou Mind da Gap.

“Eles deviam ter-nos avisado”, brincou Demo, destacando que é ótimo este tipo de concorrência saudável entre pessoas que não deixaram de acreditar na música e de produzir canções.

Para New Max, a coincidência deve-se ao facto de 2010 ser um “bom ano” para lançar um disco: “2009 já não foi tão bom. Eu tive essa experiência e posso dizer que tocou-se muito pouco no ano passado. Este ano já temos muitos concertos marcados”.

Na carreira da banda de Leça da Palmeira, que não tem mais nada para provar em Portugal, há agora, segundo o cantor, uma única lacuna: o salto para o estrangeiro.

“O que falta é internacionalização. Continua a haver um preconceito, já que quem canta em inglês cá não consegue exportar, e nós a cantar em português… Se fosse world music se calhar seria mais fácil, mas isto ainda não é considerado world music, por isso vamo-nos manter por cá e esperar que alguma alma inteligente nos perceba e nos leve para outros países”, salientou New Max.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: DR
Expensive Soul regressam com "Utopia" | © DR
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