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dia 3 | Rock in rio

Muse foram os reis da terceira noite onde o Rock (finalmente) apareceu

28 | 05 | 2010   02.30H

A organização já tinha anunciado que hoje era um dos dias com mais bilhetes vendidos, à semelhança da passada sexta-feira, que recebeu 81 mil pessoas para assistir aos espectáculos de Ivete Sangalo e Shakira, e este dia 27 não desiludiu, superando os números com uma afluência de 83 mil visitantes.

Embora o facto de ser quinta-feira (e amanhã ainda ser dia de trabalho) pudesse jogar contra, as imediações e, posteriormente, o próprio recinto, já pelas 18 horas, se encontrava bem preenchido e com grandes filas à porta.

Sunset morno e ventoso

A caminho do Parque da Bela Vista dava a ilusão de que o palco Sunset já tinha lotação esgotada, no entanto, com o atraso dos Nu Soul Family, todo o cartaz se moveu uns largos minutos acima. E enquanto os Expensive Soul não davam o ar da sua graça num final de tarde muito ventoso, as barracas de “comes e bebes” entretiam os presentes. Talvez mais os “bebes”.

Com cerca de meia hora de atraso, Demo e New Max subiram ao palco secundário do Rock In Rio acompanhados pelos Soul & Bluey e os Incognito, tentando captar a atenção do público circundante. A abrir, surgiu logo “O Amor É Mágico”, o primeiro single do mais recente trabalho do duo, «Utopia».

A batida R&B soou familiar a algumas dezenas de pessoas, fazendo com que o tapete verde ficava um pouco mais preenchido, embora com bastantes intervalos. Com o objectivo de dar a conhecer o novo álbum, os Expensive Soul acabaram por dar um espectáculo morno, que nem chegou a aquecer o suficiente com “13 Mulheres” e “Eu Não Sei”.

Em simultâneo, tocavam os igualmente portugueses Fonzie no Palco Mundo, que tiveram a árdua tarefa de substituir mesmo em cima da hora os Sum 41, que se viram obrigados a cancelar o concerto devido a um acidente do baterista.

Apesar do pequeno espectáculo (e da escassa audiência) se basear no próximo disco da banda punk, «Caminho», a sair em Setembro, os Fonzie não cederam perante a responsabilidade e rebuscaram o passado através de “Crashin Down” ou “Say Hello”, embora a sonoridade não seja da mais criativa.

Xutos & Pontapés sempre

Goste-se ou não se goste, os Xutos são das maiores bandas portuguesas de sempre (se não a maior). Já tudo se disse e tudo se sabe sobre o grupo que esteve para se chamar Beijinhos & Parabéns, mas ninguém pode negar que, quer se tenha 8 anos, quer se tenha 80, alguma música há-de conhecer e há-de saber reconhecer Tim, Zé Pedro, Kalú ou Cabeleira.

E por mais que se critique que concertos dos Xutos “há aos pontapés”, seja a pagar ou de borla em qualquer terrinha perto de si, o grupo-referência do Rock luso ainda chama muitas pessoas para uma actuação ao vivo. E não há quem não cante a “Casinha” ou os “Contentores” como se não houvesse amanhã.

Assim foi esta quinta-feira no Palco Mundo. Com um mar de gente a ladear a enorme infraestrutura de metal, os Xutos & Pontapés cantaram os clássicos, entre eles “À Minha Maneira”, “Não Sou o Único”, “Circo de Feras” e “Homem do Leme”, mas também deram umas pinceladas no último disco, com “Perfeito Vazio” ou “Superjacto”.

E se todos os presentes não quiseram faltar ao “Dia de S. Receber” gritado por Tim ou à declaração a “Maria”, poucos devem ter resistido no Sunset para ver Jorge Palma e Zeca Baleiro, sensivelmente á mesma hora.

Snow Patrol com estreia sentida

Com a encosta do Parque da Bela Vista a ficar atestada na sua quase máxima força, pisaram o palco pela primeira vez em Portugal os britânicos Snow Patrol. Comunicativo e visivelmente feliz por estar em território luso, o vocalista Gary Lightbody circulou por todo o espaço do palco, descendo logo para junto do público no segundo tema, “Take Back The City”, muito bem recebido pela plateia.

Com uma carreira já considerável e uma mão cheia de singles, apesar de encarados muitas vezes como banda de abertura de grandes nomes como os U2, os Snow Patrol sabem puxar dos galões do rock alternativo dos anos 90 e fazer uma actuação sentida e honesta, e ao mesmo tempo emocionante e emotiva.

Em 15 anos de existência, compilados na colectânea «Up To Now», Lightbody e companhia – que confidenciaram ter adorado visitar o Castelo de S. Jorge - devem ter o orgulho de ter canções como “Crack The Shutters”, “Shut Your Eyes” ou “Run”, já para não falar do cartão de visita magnifíco que é e sempre será “Chasing Cars”. “Just Say Yes” surgiu na recta final da actuação e promete entrar para essa lista (se é que já não entrou).

Pelo meio, uma tímida e nervosa Rita Redshoes teve o prazer de ser a convidada no tema “Set The Fire To The Third Bar”, mas a sua passagem pelo Palco Mundo passou algo despercebida, não acrescentando, por aí além, um elemento de interesse ao concerto na totalidade.

Embora fosse a estreia dos Snow Patrol em Portugal e o concerto ter um saldo bastante positivo, não eram cabeças de cartaz, o que faz com que se avizinhe uma possível e merecida presença em nome próprio num coliseu da nossa praça.

O sex-appeal electrónico dos Muse

Os Snow Patrol não eram, de facto, a atração principal da terceira noite do Rock In Rio, pois o motivo que levou as milhares de pessoas a deslocarem-se à Bela Vista tem apenas e só um nome: Muse. Conterrâneos de Gary Lightbody, os Muse provaram mais uma vez serem um fenómeno de massas e uma banda de culto neste país à terra mar plantado, com uma legião de fãs acérrimos totalmente rendidos aos seus pés.

Com uma entrada triunfal em simultâneo com o já habitual fogo de artifício, Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard vieram directamente de uma constelação intergaláctica (tal era o predomínio do prateado em palco e nas vestimentas) para o concerto de rock alternativo e indie electrónico repleto de sex-appeal, a mistura de sonoridade que os torna tão populares.

“MK Ultra” abriu as hostes, mas foi com “Uprising”, “Supermassive Black Hole”, “Undisclosed Desires”, “Time Is Running Out”, “Starlight” ou “Hysteria” que os Muse as levaram milhares de pessoas ao rubro e ao “efeito sardinha” no seu máximo expoente.

O Rock In Rio Lisboa faz mais uma pausa esta sexta-feira, mas regressa sábado para um dia mais dedicado aos mais novos, com Miley Cyrus como atractivo, terminando no domingo com um cartaz especial metal, onde os Rammstein irão fechar a edição deste ano.

Vera Esteves | vesteves@destak.pt
Foto: Paula Paz/Destak
Muse foram os reis da terceira noite onde o Rock (finalmente) apareceu | © Paula Paz/Destak

2 comentários

  • sem palavras...pra descrever os shows simplismente extraordinários e inovadores dos muse
    mona | 27.09.2010 | 01.26H
  • foi LINDO!! tanto MUSE como Snow Patrol foram fantásticos!!
    claro que MUSE mais de espectáculo, até pelo seu estilo mais "explosivo", mas AMEI ambas as actuações!!
    2 grandes bandas!
    Catarina | 29.05.2010 | 11.23H
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