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Ambiente

Município de Sines preocupado com valores de poluentes da refinaria, Galp Energia nega riscos

01 | 06 | 2010   21.05H

“O que preocupa o município são todos os parâmetros analisados na água utilizada na refinaria, que ultrapassaram os valores legais”, disse a vereadora Cármen Francisco.

A vereadora do Ambiente falava hoje à agência Lusa a propósito dos resultados do Relatório Ambiental Anual 2009 da Refinaria de Sines, elaborado pela Galp Energia, no âmbito da sua licença ambiental.

O relatório foi analisado pela autarquia, que pediu esclarecimentos à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e à Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Alentejo.

“A Câmara Municipal manifesta a sua preocupação com os resultados do relatório, tendo já questionado a APA e a ARH do Alentejo sobre as medidas que tomaram e irão tomar”, divulgou a autarquia, em comunicado de segunda feira.

Entre os “resultados negativos” do relatório, a autarquia aponta “concentrações de MTBE (aditivo para gasolina) acima dos valores limite” e também “valores de chumbo acima do Valor Máximo Admissível (VMA)”, situados “entre os 59,9 e 133 nanogramas por litro de água” - o VMA é de 50 nanogramas por litro.

Cármen Francisco esclareceu que o município não tem “preocupações do ponto de vista da saúde pública”, pois o aquífero subterrâneo utilizado nos processos industriais da refinaria “é numa zona mais superficial” do que a água para abastecimento público, também de furos, mas “captada a maior profundidade”.

“Nas análises que a Câmara efetuou em 2009 à qualidade da água de abastecimento humano e que chega às torneiras dos consumidores o parâmetro ‘chumbo’ teve sempre valores muito abaixo do limite legal”, frisou.

Contudo, disse, como a APA e a ARH Alentejo “são as entidades que têm competência nesta matéria”, o município “quer saber o que significa a ultrapassagem destes valores do relatório, como o chumbo, e quais as implicações ambientais, para os aquíferos e para os solos”.

A Galp Energia esclareceu hoje à Lusa que a Refinaria de Sines efectua “há vários anos análises quantitativas de risco para a saúde humana e ambiente, relativamente à qualidade dos solos e das águas subterrâneas da mesma”.

Na área do complexo da refinaria “não existe qualquer risco para a saúde humana decorrente da qualidade dos solos e das águas subterrâneas, conclusão que se aplica tanto ao MTBE como ao chumbo”, assegurou a empresa, criticando o “alarmismo desnecessário e despropositado”.

O aquífero localizado debaixo da refinaria “não tem qualquer uso, quer para o abastecimento público, quer para a agricultura”, afirma a Galp Energia, que frisa que os “valores utilizados para comparação são enganosos”.

“Qualquer alegação de deposição ou inadequada gestão de resíduos e de contaminação de solos e águas subterrâneas é falsa e, caso tal suceda na Zona Industrial e Logística de Sines, a refinaria assume-se como principal interessada no apuramento de responsabilidades, inocentando-se de tais práticas”, acrescenta.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
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