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Educação

Ensaio traz "visão bastante crítica" do ensino do Português

14 | 06 | 2010   20.33H

O ensaio é da autoria da professora Maria do Carmo Vieira, que, a convite da Fundação Manuel dos Santos, elaborou um estudo sobre o ensino do Português.

Como explicou Maria do Carmo Vieira, o objectivo era conseguir “uma visão completa do que de criticável se passa nas escolas”, abordando os vários ciclos e a nova terminologia linguística.

“Tenho uma visão bastante crítica do ensino do Português e acho que atingiu o auge com a reforma de 2003”, apontou, em declarações à agência Lusa, à margem do lançamento dos três primeiros trabalhos da coleção de ensaios, que decorreu hoje na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

“Os programas foram esvaziados de conteúdos e um programa que tem de ter obrigatoriamente um fio condutor, neste momento, é uma coisa solta”, criticou.

“Atira-se com Luís de Camões, depois com um texto pragmático, depois com um texto informativo. Cesário Verde aparece ao pé da publicidade. Não pode ser. A literatura é uma arte e não pode ser subestimada”, acrescentou.

Para Maria do Carmo Vieira, já durante a década de 80 do século passado era possível perceber algumas das alterações que estavam a ser implementadas ao nível do ensino, “mas era tudo muito subtil”.

“A minha grande crítica é que nós não acreditámos que podia acontecer isto e quando chegou a nossa vez é que vimos que as coisas se fazem com paciência e depois impõem-se. Neste momento não há porquês, é imposição sobre imposição”, acusou, referindo-se ao Ministério da Educação.

Por isso, a autora do ensaio defende que seria “muito importante” haver diálogo, mas lembra também que “há alturas em que é preciso desobedecer”.

“É preciso desobedecer em nome do estudo, em nome da nossa dignidade enquanto seres humanos e enquanto professores, porque os alunos confiam nos professores e os professores não podem ser um veículo do Ministério [da Educação], em que se apoia a facilidade, em que se apoia a ignorância, em que se defende a oferta do êxito”, sublinhou.

Maria do Carmo Vieira apontou que “sem dúvida os alunos estão a ser as vítimas deste ensino” e lembrou que se está a fomentar a “desertificação dos professores”.

Como solução propõe que a formação dos professores seja alterada e que as novas teorias pedagógicas – “que não honram a pedagogia” – sejam repensadas.

Na altura, o presidente da Fundação Manuel dos Santos, António Barreto, explicou que “há um risco calculado” na intenção de publicar estes ensaios e adiantou que essa intenção não passa por convencer “qualquer poder político”, mas antes por conseguir chegar a todos os cidadãos.

António Barreto disse à Lusa que os três primeiros ensaios vão estar à venda dentro de dias em livrarias, supermercados, estações de comboio, quiosques ou associações de estudantes pelo preço de entre três a cinco euros.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: Inácio Rosa/Lusa
Ensaio traz "visão bastante crítica" do ensino do Português | © Inácio Rosa/Lusa

7 comentários

  • Aquela senhora que escreve livros para crianças ainda lá está? No ministério?
    Guilherme S. | 15.06.2010 | 20.21Hdenunciar comentário
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  • É a perfeita cultura da mediocridade, do facilitismo, do laxismo no seu melhor. UM DESASTRE COMPLETO fomentado e imposto pelos sucessivos ministérios da educação. Não se conseguem melhores ministros e equipas ministeriais porquê? É uma onda avassaladora de mediocres e incompetentes que tudo varrem!!!Para onde vamos?
    Justo | 15.06.2010 | 15.33Hdenunciar comentário
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  • Las ideas de lo ensino, las ideas de la saude, las ideias las ideias las ideias las ideias, del acordo. Todas son las mismas: porque son ideias de mierda!
    LACARTE | 15.06.2010 | 11.58Hdenunciar comentário
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  • Com a idade que tenho nunca pensei que o ensino em Portugal passasse a ser tão mau como está actualmente, quer na língua Pátria, quer noutras disciplinas, como a matemática etc., é uma tristeza falar com qualquer aluno desde o 4º. ano de escolaridade até ao décimo ano, na sua maioria nem uma carta ou um requerimento sabem redigir e o pior é que se constata que não são os mais culpados o sistema de ensino é que não tem por onde se lhe pegue, vejam só, actualmente um aluno no oitavo ano porque foi preguiçoso ou a sua capacidade não vai mais longe, pode fazer um exame, com matéria facilitada e passa para o décimo ano, caso para perguntar; e os que andaram um ano no nono, passam para qual? ou ficam a ver a banda a passar, isto é muito mais que facilitismo é uma vergonha de ensino, é só para a estatística, depois querem que os empresários aceitem estes rapazes como empregados, ora se eles nem sabem ler nem escrever para que servem, até para serventes são fracos, eu tive ocasião de há dias ter na minha mão alguns textos de provas feitas numa escola dos arredores do Porto e constatei que cada palavra era um erro, a letra parecia mais um gatafunho que ninguém conseguia ler, no meu tempo de escola o professor dava-me uma classificação de três zeros abaixo de zero, é uma autentica vergonha e o professor que não alinhe com este sistema está à pega com as novas Direcções Escolares, principalmente as que são mais chegadas ao actual Governo, sinto-me um português envergonhado, mas o pior de tudo é que na Assembleia da Republica os deputados são todos da mesma fazenda, passam mais vezes a abanar com a cabeça que a pensar, já que para isso foram proibidos pelos partidos políticos que actualmente representam o antigo Salazar como ditadores. 2010-06-15-Manuel Freitas
    Manuel Freitas | 15.06.2010 | 11.37Hdenunciar comentário
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  • Pois...............É democrático...!
    bimmedelado | 15.06.2010 | 10.50Hdenunciar comentário
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  • Ensaios sobre educação à venda em supermercados e estações de comboio?
    anónimo | 15.06.2010 | 09.17Hdenunciar comentário
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  • este e o pior Ministerio de todos!um horror onde agora ate a corrupcao e activa e faz-se uso da ma-lingua e da difamacao de pais e alunos por parte de professoers e secretarias!e i ministerio da DESEDUCACAO!
    loulou | 15.06.2010 | 07.48Hdenunciar comentário
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