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Metro

PCP garante que modelo de financiamento do metro do Porto está "inquinado desde a origem"

05 | 07 | 2010   21.31H

"Não foi preciso esperarmos pela recente conclusão da auditoria do tribunal de contas para podermos concluir pela falência técnica da empresa” sendo que “outra situação não seria esperável de um projeto de transportes públicos cujo modelo de financiamento está inquinado desde a origem”, afirmou hoje o deputado Honório Novo.

O deputado do PCP falava numa conferência para apresentação dos resultados de reuniões que representantes do partido tiveram hoje com a administração da Metro e Junta Metropolitana do Porto.

Honório Novo explicou que o projeto tem “um modelo de financiamento único, pela negativa, em toda a Europa e, porventura, em todo o mundo, cuja componente de financiamento a fundo perdido não ultrapassa os 26, 27 por cento na primeira fase”.

“Não há nenhum projecto de transportes colectivos em todo o mundo que seja sustentável financeiramente à custa de uma comparticipação a fundo perdido – fundos comunitários, dos Quadros Comunitários de Apoio, de Coesão, do Orçamento de Estado – com valores percentuais daquela ordem de grandeza, obrigando a empresa a recorrer ao crédito em valores que superam os 70 por cento”, realçou.

Para o PCP “não é aceitável que um projecto de transportes públicos mantenha a percentagem de apoio a fundo perdido que o metro do Porto tem tido” pelo que “ou o Governo muda esta situação – através do Orçamento de Estado, de uma afectação muitíssimo superior dos fundos comunitários à obra do Metro, do envolvimento do Fundo de Coesão nesta obra – ou a Metro do Porto estará condenada, inexoravelmente, a uma situação absolutamente degradada do ponto de vista económico e financeiro”.

A actual situação da empresa é, para o partido, da responsabilidade dos “governos que, desde a génese do projecto, nunca quiseram atalhar por esta situação nem alterá-la”.

“E naturalmente das juntas metropolitanas que durante estes anos não souberam reagir”, acrescentou.

Na sequência desta situação, os deputados do PCP não se mostram surpreendidos “que a fuga seja para o abismo e que a solução que o Governo está a impor à empresa Metro do Porto seja a do recurso a uma Parceria Público-privada para avançar com o concurso da segunda fase”.

“Estamos perante uma situação de abismo ou perante uma situação de chantagem política que é ‘ou aceitam a PPP ou não se faz nada’”, atalhou Honório Novo.

Destak/Lusa | destak@destak.pt
Foto: Estela Silva/Lusa
PCP garante que modelo de financiamento do metro do Porto está "inquinado desde a origem" | © Estela Silva/Lusa
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